Sem categoria | BR Cyber Play https://br.cyberplay.online Sat, 15 Aug 2026 13:48:43 +0000 pt-BR hourly 1 https://br.cyberplay.online/wp-content/uploads/2026/06/cp-logo-site_icon-1781013954-96x96.png Sem categoria | BR Cyber Play https://br.cyberplay.online 32 32 Morro Sem Saída — Capítulo 8: A foto que condena https://br.cyberplay.online/morro-sem-saida-parte-08/ Wed, 12 Aug 2026 14:36:02 +0000 https://br.cyberplay.online/?p=15799 Dona Bananinha colocou a foto amarelada sobre a mesa da cozinha. Semente reconheceu o pai ao lado de Espinho, os dois jovens ainda. O que ele ainda não sabia era que a pior parte daquele dia nem tinha começado.

A foto rasgada

Ela empurrou a imagem com o dedo. A parte onde o pai aparecia estava separada da outra. Semente sentiu o peito apertar. A mãe olhou para o lado antes de falar.

“Seu pai trabalhou pra Espinho. Queria sair do grupo e levar a gente embora. Sumiu naquela mesma noite.”

O segredo guardado

Semente encostou as mãos na cadeira. A gravidez de Pêssega ainda martelava na cabeça dele, mas agora outra coisa pesava mais. Dona Bananinha respirou fundo e continuou.

“Espinho não atirou. Ele entregou seu pai pra quem não queria que ninguém saísse vivo dali.”

Eu escondi a verdade porque já tinha perdido seu pai e não podia perder você.

As palavras ficaram no ar. Semente olhou a mãe como se visse uma estranha. Ele pensou em todos os anos vivendo sem saber.

A decisão de ir

Ele pegou a metade da foto e guardou no bolso. Dona Bananinha estendeu a mão, mas ele já estava de pé. O prato de feijão ainda fumegava na mesa, intocado.

Semente abriu a porta sem olhar para trás. Do lado de fora, a viela estava quieta. Ele sabia para onde ia: encontrar Espinho e ouvir a verdade diretamente. A foto queimava no bolso como prova.

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Morro Sem Saída — Capítulo 7: O filho muda a escolha https://br.cyberplay.online/morro-sem-saida-parte-07/ Wed, 12 Aug 2026 14:35:48 +0000 https://br.cyberplay.online/?p=15798 Pêssega guardava o teste de gravidez embrulhado num lenço rosa dentro da bolsa. Ela sentia o embrulho roçar na mão toda vez que o dedo tocava o tecido. Semente ainda não sabia, mas a decisão que ele vinha adiando ia ter que ser tomada agora.

O lenço rosa na mesa

Ela chegou na casa dele depois da aula, já quase escurecendo. A mãe de Semente ainda não tinha voltado do trabalho. Pêssega tirou o teste da bolsa e colocou em cima da mesa sem desembrulhar. Semente olhou o volume e ficou quieto por um tempo.

— É isso que você tá escondendo faz dias? — ele perguntou por fim.

Ela assentiu. Desenrolou devagar o lenço. As duas linhas apareciam claras. Semente encostou a mão na mesa e respirou fundo. Não disse que ia dar tudo certo. Só ficou olhando.

A náusea que não passava

Pêssega contou que vinha sentindo enjoo toda manhã e que a mãe dela já desconfiava de alguma coisa. Falou também do plano de separar os dois e de como agora parecia ainda mais urgente sair do morro. Semente ouviu tudo sem interromper. Quando ela terminou, ele perguntou se ela tinha certeza de que queria criar o bebê ali.

— Eu quero que você decida junto comigo — ela respondeu. — Não quero que fique só na minha conta.

Semente falou do pai desaparecido e de Espinho. Disse que precisava entender o que aconteceu antes de pensar em fugir. Pêssega ficou em silêncio um momento, depois balançou a cabeça. Ela já tinha medo de que ele fosse escolher o passado.

Dona Bananinha chega em casa

A porta abriu e a mãe entrou carregando as sacolas do mercado. Viu o teste em cima da mesa e parou no meio do caminho. Largou tudo no chão. Olhou para o filho e depois para Pêssega. O rosto dela mudou de cansado para assustado em segundos.

Ela mandou Pêssega sentar e foi até a cozinha pegar um copo d’água. Quando voltou, já tinha decidido que não ia mais guardar o que sabia. Esse bebê precisa de um pai vivo, não de uma vingança, ela disse sem levantar a voz. Semente olhou para ela sem entender direito.

Ela foi até o quarto dos fundos e voltou com uma caixa de sapato velha.

Dona Bananinha sentou na cadeira ao lado do filho. Abriu a caixa devagar e tirou uma fotografia amarelada. Na imagem via-se o pai de Semente, ainda jovem, ao lado de Espinho que parecia ter uns vinte anos. Os dois sorriam como se fossem próximos. Semente pegou a foto e ficou olhando os dois rostos. A mãe não disse mais nada por enquanto.

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Morro Sem Saída — Capítulo 6: Um coração contra o morro https://br.cyberplay.online/morro-sem-saida-parte-06/ Wed, 12 Aug 2026 14:35:33 +0000 https://br.cyberplay.online/?p=15797 Semente subiu a viela estreita com o pulso ainda quente do toque de Pêssega. Depois da conversa com Laranjinha, ele precisava de alguém que não mentisse. A noite caía sobre o morro e as luzes das lajes começavam a piscar.

A pulseira simples

Pêssega esperava sentada no degrau de casa. Trazia uma pulseira de miçanga azul no bolso. Colocou no pulso dele sem pedir licença. Isso aqui é pra lembrar que tem outro caminho, ela disse baixo. Semente olhou a pulseira e sentiu o peso de tudo que não conseguia largar.

Ela contou que a mãe queria mandá-la para o interior, para casa de uma tia. Não querem que eu fique aqui com você, completou. Semente apertou a mão dela. Prometeu que ia sair daquela vida, mas primeiro precisava entender o que tinha acontecido com o pai.

O que ele ainda não contava

Pêssega quis saber por que não podiam simplesmente ir embora. Você sempre fala em sair, mas nunca sai, ela falou. Semente explicou que largar a investigação era como deixar o pai pra trás de novo. A pulseira apertava no pulso dele, fria agora.

Os dois ficaram em silêncio um tempo. O barulho do ventilador da cozinha da vizinha enchia o ar. Semente tocou o rosto dela. Eu te amo, mas não vou amar um morto, Pêssega disse de uma vez. As palavras ficaram no ar entre eles.

Antes de ir embora

Pêssega levantou para voltar pra dentro. Sentiu uma náusea forte e parou no meio do caminho. É só cansaço, ela murmurou, mas não olhou pra ele. Semente ofereceu água. Ela recusou e guardou o teste de gravidez enrolado num lenço dentro da bolsa, sem que ele visse.

Quando ela fechou a porta, Semente ficou na viela olhando a pulseira. O morro parecia mais quieto que o normal. Ele pensou em descer até a esquina de novo, mas o gosto da promessa que tinha feito ainda estava na boca.

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Morro Sem Saída — Capítulo 5: A verdade na cicatriz https://br.cyberplay.online/morro-sem-saida-parte-05/ Wed, 12 Aug 2026 14:35:18 +0000 https://br.cyberplay.online/?p=15796 Semente parou na porta do barraco de Espinho e viu o reflexo dele num espelho rachado. A cicatriz no rosto do homem parecia mais funda que o normal. Ele já tinha visto aquilo antes, mas agora a marca parecia contar algo que ninguém dizia em voz alta.

O espelho rachado

Espinho virou devagar. Tinha um copo na mão e o cheiro de cachaça misturado com suor. Olhou Semente de cima a baixo, como se medisse quanto o garoto já sabia.

“Você andou fazendo perguntas demais”, disse Espinho. A voz saiu baixa, quase cansada. Semente ficou quieto. Não sabia por onde começar.

O homem passou a mão na cicatriz sem perceber. “Seu pai tentou sair daqui também.”

Seu pai tentou sair daqui também.

O que Espinho deixou escapar

Semente sentiu o peito apertar. Queria perguntar se o pai estava morto, mas a palavra não saía. Espinho continuou, oferecendo mais dinheiro do que o combinado, dizendo que podia proteger a mãe dele. Era a mesma conversa de sempre, só que agora soava falsa.

Ele pensou em Laranjinha. Ninguém mais sabia que ele estava investigando o sumiço do pai. Só o amigo. A certeza desceu como uma pedra.

Espinho riu sem humor. “Não precisa ficar bravo. É só negócio.” Semente não respondeu. Saiu do barraco com as mãos fechadas.

A viela depois da conversa

Laranjinha estava encostado na parede de uma casa mais embaixo, mexendo no celular. Quando viu Semente, tentou sorrir como sempre. O sorriso morreu no meio.

Semente parou na frente dele. A voz saiu baixa, sem grito. “Quanto valeu a amizade dos dois?” Laranjinha olhou para os próprios pés. Não respondeu. O silêncio entre eles pareceu durar o resto da tarde.

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Morro Sem Saída — Capítulo 9: Ninguém manda no meu destino https://br.cyberplay.online/morro-sem-saida-parte-09/ Wed, 12 Aug 2026 14:35:06 +0000 https://br.cyberplay.online/?p=15800 Semente parou na viela estreita e olhou a corrente de ouro caída no chão. O metal brilhou contra a poeira. Ele sabia que Espinho não ia deixar aquilo passar fácil. O que ele ainda não sabia era que a pior parte daquele dia nem tinha começado.

A corrente caída na poeira

Espinho estava cercado pelos homens da esquina. Semente avançou dois passos e apontou para o chão. A corrente tinha escorregado durante a discussão. Ninguém se mexeu para pegar. O silêncio pesou mais que qualquer grito.

— Meu pai tentou sair. Você entregou ele — disse Semente. A voz saiu baixa, mas firme.

Espinho riu curto e chutou a corrente com o pé. — Ninguém manda no meu destino, garoto. Menos ainda você.

O que o chefe ofereceu

Espinho falou que Semente podia ficar com o dinheiro da esquina e ainda ganhar proteção. Falou que o morro não perdoava quem virava as costas. Os homens ao redor assentiram devagar. Semente pensou na foto rasgada que guardava no bolso. Pensou também na gravidez de Pêssega, que ninguém ali sabia.

Ele sentiu o impulso de responder na hora, de fazer Espinho pagar. Mas o rosto da mãe passou pela cabeça. E o rosto de Pêssega, pedindo que ele não repetisse o erro do pai.

A frase que mudou tudo

— Meu pai tentou sair. Eu vou conseguir — disse Semente. As palavras saíram antes que ele pudesse engolir.

Espinho apertou os olhos. Mandou um dos homens pegar a corrente e entregar de volta. Disse que Semente ia se arrepender antes do anoitecer. Ninguém se mexeu. A corrente ficou onde estava.

Semente virou as costas. Passou pelos homens sem olhar para baixo. A viela parecia mais longa do que de costume. Ele não aceitou a ordem que Espinho deu em voz alta. Não pegou a corrente. Não voltou para pedir desculpa.

Dois dias depois, o boné velho do pai ainda estava em cima da mesa da cozinha. Dona Bananinha não tocou nele. Semente guardou a foto rasgada ao lado e pensou em como ia contar para Pêssega que tinha dito não em público. O morro não ia esquecer logo. Mas ele já tinha dado o primeiro passo para fora.

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Morro Sem Saída — Capítulo 4: O amigo que escutou demais https://br.cyberplay.online/morro-sem-saida-parte-04/ Wed, 12 Aug 2026 14:34:39 +0000 https://br.cyberplay.online/?p=15795 Semente sentou na mureta com dois copos de refrigerante entre ele e Laranjinha. Falou baixo sobre o que planejava descobrir de Espinho e pediu segredo absoluto. O que ele ainda não sabia era que a pior parte daquele dia nem tinha começado.

A conversa que ficou na mureta

Semente mexeu o gelo derretido com o canudo. Contou que ia perguntar direto a Espinho sobre o pai desaparecido. Seu pai não sumiu porque quis, repetiu o pedaço que ouvira da mãe. Laranjinha assentiu, mas os olhos dele não paravam quietos.

— Ninguém mais pode saber, hein. Nem Pêssega. Principalmente ele — disse Semente.

Laranjinha concordou rápido. Os dois copos ficaram ali, esquecidos, quando um carro subiu a viela e os obrigou a levantar.

O que Laranjinha fez depois

Ele voltou para casa, mas não conseguiu comer. A mãe perguntou se o dinheiro do mês já tinha entrado. Laranjinha mentiu que ainda não. Pensou no quanto Espinho pagava só por pequenas informações. Pensou na cara de Semente pedindo segredo. Foi andando até a laje onde Espinho costumava ficar.

Espinho estava sozinho, limpando uma arma. Ouviu tudo sem interromper. Quando Laranjinha parou de falar, o homem sorriu devagar.

Traição começa quando o medo fica maior que a amizade.

Espinho mandou Laranjinha repetir cada palavra de Semente. Depois disse que precisava de mais detalhes. Laranjinha saiu sentindo o estômago embrulhado, mas com o bolso mais leve.

O recado que chegou

Semente estava ajudando a mãe a lavar louça quando o celular vibrou. Era uma mensagem curta: Espinho queria falar com ele agora. Dona Bananinha viu a cara do filho e perguntou o que era. Ele respondeu que era coisa da escola.

Enquanto descia a viela, Semente pensou em ligar para Laranjinha e contar que ia enfrentar Espinho. Não ligou. Achou melhor resolver sozinho. Os dois copos ainda estavam na mureta, vazios, quando ele passou por ali.

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Morro Sem Saída — Capítulo 3: O medo mora em casa https://br.cyberplay.online/morro-sem-saida-parte-03/ Wed, 12 Aug 2026 14:34:28 +0000 https://br.cyberplay.online/?p=15794 Dona Bananinha acendeu a vela devagar, como fazia toda semana. A chama tremia um pouco diante da foto velha do marido. Ela guardava aquele ritual em segredo, mesmo depois de tantos anos. O que ela ainda não sabia era que o filho ia entrar na sala antes da hora e mudar o rumo daquela noite.

A foto que ela tentou esconder

A casa estava quieta, só o barulho distante dos carros lá embaixo no asfalto. Dona Bananinha ajoelhou no chão duro e rezou baixo. Quando ouviu o rangido da porta, escondeu a foto atrás do vaso de flor murcha.

Semente parou no meio da sala. O cheiro de cera ainda pairava no ar.

— Mãe, o que você tá fazendo com a foto do pai?

Ela se levantou devagar, limpando as mãos na saia. O rosto ficou sério de repente.

— Nada que te interesse agora, filho. Algumas coisas é melhor deixar quietas.

O que a mãe não queria contar

Semente deu um passo à frente. A foto já estava quase visível de novo.

— Eu só quero saber o que aconteceu com ele. Todo mundo no morro fala que foi coisa do Espinho. Você sabe de algo?

Dona Bananinha apertou os lábios. O medo apareceu nos olhos dela, aquele medo antigo que nunca sumia.

— Seu pai não sumiu porque quis. Algumas verdades podem te matar, Semente. Deixa isso pra lá.

Ele balançou a cabeça, sem entender por que ela escondia tanto. A casa pareceu menor de repente.

Pêssega e a verdade que escapou

Pêssega bateu na porta aberta. Trazia um pote de comida que a mãe dela mandara. Olhou para os dois e sentiu o peso no ar.

— Dona Bananinha, eu vim falar com o senhor. Não dá mais pra fingir que a gente não se gosta. Eu amo seu filho, mesmo minha família falando que é loucura.

A mãe de Semente ficou em silêncio por um instante. Depois olhou para a filha da vizinha e soltou o que guardava havia tempo.

Seu pai não sumiu porque quis.

Semente estava no corredor, voltando do banheiro. Ouviu só essa frase. Parou ali mesmo, coração batendo forte. Pêssega e a mãe continuaram falando baixo, sem perceber que ele escutava.

Ele não esperou o resto. Saiu pela porta dos fundos sem fazer barulho. A decisão já estava tomada na cabeça: ia descobrir sozinho o que Espinho tinha a ver com o sumiço do pai. Nada mais ia impedir isso.

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Morro Sem Saída — Capítulo 10: A saída começa dentro https://br.cyberplay.online/morro-sem-saida-parte-10/ Wed, 12 Aug 2026 14:34:14 +0000 https://br.cyberplay.online/?p=15801 Semente acordou com o boné do pai em cima da mesa, ao lado da mochila velha que usava pra escola. O morro estava quieto demais depois da briga com Espinho. Ele ainda sentia o peso da corrente que recusou, mas agora precisava pensar em como pagar as contas sem aquele dinheiro fácil. O que ele ainda não sabia era que a conversa que viria mais tarde ia mudar o jeito de ver a saída do morro.

O silêncio dos vizinhos

Quando desceu a viela, as portas se fechavam devagar. Ninguém cumprimentava. A mãe dele, Dona Bananinha, lavava roupa na varanda sem olhar pra rua. Semente carregava a mochila vazia, só pra ter alguma coisa nas mãos. O medo era real: Espinho podia mandar alguém atrás dele a qualquer hora.

Ele parou na padaria da esquina. O dono serviu o café sem conversa. Semente pagou com as últimas notas que tinha guardado. Pensou na Pêssega e no bebê que viria. Como ia conseguir um emprego decente agora?

A saída do morro

Laranjinha apareceu no fim da tarde, nervoso, olhando pros lados. Pediu pra subir. Na sala pequena, ele enrolou um pouco antes de falar. Disse que tinha contado pra Espinho sobre a conversa deles, mas agora queria ajudar. Entregou um papel com nomes e horários que podiam afastar o chefe dos garotos da região.

Morro sem saída é só o nome que deram pra quem nunca mostraram a porta.

Semente guardou o papel sem prometer nada. Laranjinha pediu desculpa de verdade, voz baixa. Disse que tinha medo de perder o pouco que tinha. Os dois ficaram em silêncio um tempo. Depois Semente concordou em usar as informações, mas sem voltar pro jogo.

A mochila pronta

Dona Bananinha entrou no quarto à noite. Viu o boné do marido ao lado da mochila escolar. Falou baixo que sempre soube mais sobre o desaparecimento do pai, mas tinha medo de perder o filho também. Agora via que segurar demais só empurrava ele pro perigo. Aceitou que precisava confiar nas escolhas dele.

Pêssega chegou depois, ainda com a mão no ventre. Disse que ficava, mas só se os dois saíssem do ciclo. Queria um lugar onde o bebê não crescesse olhando pra esquina. Semente assentiu. Colocou o boné dentro da mochila, junto com o papel que Laranjinha trouxe e o formulário do curso profissionalizante que tinha pegado escondido.

Na manhã seguinte ele desceu a viela com a mochila nas costas. Os vizinhos ainda olhavam de lado, mas ele não parou. O curso começava na semana que vem, do outro lado do asfalto. O bebê ia conhecer uma história diferente, pensou. Sem corrente, sem segredo guardado. Só o passo adiante, rua por rua.

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Morro Sem Saída — Capítulo 2: Dinheiro sobre a mesa https://br.cyberplay.online/morro-sem-saida-parte-02/ Wed, 12 Aug 2026 14:33:53 +0000 https://br.cyberplay.online/?p=15793 Semente deixou o envelope em cima da mesa de plástico da cozinha e saiu rápido para o quintal. Dona Bananinha chegou do trabalho, viu as notas dobradas e parou no vão da porta. O que ela ainda não sabia era que o bolso do filho guardava um detalhe que ia explicar tudo no fim daquela tarde.

O envelope na mesa de plástico

Dona Bananinha pegou uma nota e virou devagar. O papel estava novo, mas tinha um selo pequeno no canto que ela reconheceu de longe. Semente voltou e viu o rosto da mãe mudado.

— De onde tirou isso? — perguntou ela, voz baixa.

Ele respondeu que era de um bico de entrega que arrumou no asfalto. A mentira saiu fácil, mas o olhar dela ficou preso na mesa.

Laranjinha reforça o recado

Laranjinha apareceu na viela pouco depois, mandado por Espinho. Falou que todo mundo fazia o mesmo para ajudar em casa e que Semente tinha sido esperto em aceitar. Dona Bananinha ouviu da janela e não disse nada. O filho sentiu o peso daquilo no ar.

O encontro na laje

Pêssega esperava ele escondida atrás da caixa d’água. Os dois sentaram no cimento quente. Ela segurou a mão dele e falou baixo.

Grana que chega fácil demais sempre cobra de volta.

Semente ficou quieto. Pêssega pediu que ele parasse antes que fosse tarde. Ele disse que ia pensar, mas o envelope já estava em casa.

O símbolo no bolso

Quando voltou, Dona Bananinha pediu o casaco para lavar. Tirou do bolso um pedaço de papel com o mesmo selo das notas. O rosto dela mudou de novo. Semente percebeu que ela sabia de algo que ele ainda não entendia. Dona Bananinha pensou na fotografia antiga que guardava no armário do quarto e decidiu que algumas coisas ainda deviam ficar em silêncio por mais um pouco.

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Morro Sem Saída — Capítulo 1: A esquina chama primeiro https://br.cyberplay.online/morro-sem-saida-parte-01/ Wed, 12 Aug 2026 14:22:49 +0000 https://br.cyberplay.online/?p=15792 Semente apertou o boné gasto do pai enquanto via os meninos correndo na viela. A esquina já estava cheia de vozes baixas e olhares que não piscavam. Dona Bananinha ainda não tinha chegado, e ele sabia que a exaustão dela só pioraria se visse aquilo. O que ele ainda não sabia era que aceitar um favor pequeno mudaria a distância que sempre tentou manter.

O boné na viela

O sol batia nas lajes e fazia o morro parecer mais apertado. Semente parou no canto de sempre, vendo Espinho distribuir pacotes pequenos para os mais velhos. Ninguém falava alto. Os carros lá embaixo pareciam de outro mundo. Ele pensou na mãe, nos dias em que ela chegava com as mãos inchadas de tanto limpar.

A volta da mãe

Dona Bananinha apareceu suada, a bolsa pendurada no ombro. Ela olhou direto para a esquina e depois para o filho. Não fica aí parado, disse baixo, quase rouca. Semente seguiu ela até em casa sem responder. A porta rangeu como sempre. Ela largou a bolsa e sentou na cadeira de plástico, respirando pesado.

A oferta que chegou

Espinho apareceu na porta minutos depois, dois homens atrás dele. Falou baixo, como quem oferece água para quem tem sede. Disse que um favor pequeno podia ajudar a pagar a conta de luz. Semente olhou para o chão. A mãe ficou em pé, mas não conseguiu falar nada forte. Aqui no morro, a fome também escolhe por você, completou Espinho antes de ir embora. O envelope ficou na mesa.

O dinheiro que entrou em casa

Semente pegou o envelope quando a mãe foi tomar banho. Dobrou as notas e guardou no bolso do short. Ele jurou que só era uma vez. Quando Dona Bananinha voltou, o cheiro de comida fria ainda estava na mesa. Ela não perguntou nada, mas o silêncio entre os dois ficou mais grosso que nunca. Semente sentiu o peso no bolso e não conseguiu olhar para o boné do pai pendurado na parede.

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