Júlia apertou a mão de Rafael enquanto o monitor mostrava o contorno do bebê. O aparelho emitiu um som ritmado e ela sorriu aliviada. Rafael olhou o celular vibrar no bolso, mas não tirou a mão dela. Augusto ainda não sabia que a fotografia chegaria até ele naquela mesma noite.
A ultrassonografia
A sala estava fria e escura. O médico apontou para a tela e disse que o coração batia forte. Júlia perguntou se estava tudo bem com o tamanho. Rafael respondeu que sim, sem tirar os olhos do relógio. O celular tocou de novo, baixo, e ele ignorou. Júlia não percebeu o olhar dele desviando para a porta.
A fotografia na delegacia
Augusto chegou cansado depois de um dia longo. O investigador entregou o envelope com as imagens de vigilância. Ele abriu e parou na terceira foto. O rosto era inconfundível. Rafael aparecia conversando com dois homens conhecidos do tráfico, perto de uma oficina. Augusto sentou devagar e olhou de novo. Não podia ser erro. A foto tremia levemente na mão dele.
Ele pensou na filha grávida e no genro que chamava de bom marido. O relatório dizia que o grupo atuava há meses naquela região. Augusto guardou a foto na gaveta, mas não conseguiu fechar. Levantou, pegou o casaco e saiu sem dar explicação para o plantão.
A decisão de ir ao apartamento
No carro, Augusto repetiu para si mesmo que precisava confirmar. Ligou o rádio baixo e dirigiu em silêncio. Pensou na Júlia montando o berço no fim de semana anterior. O homem que ele caçava dormia na casa da filha. Chegou ao prédio e parou na vaga de visitante. Subiu as escadas devagar, parando no patamar para respirar. Bateu na porta uma vez só.
