Júlia chegou ao hospital com meia hora de antecedência. Sentou no banco de plástico da sala de espera e apoiou as mãos na barriga. O que ela ainda não sabia era que a consulta daquele dia guardava um reencontro que ela não estava preparada para enfrentar.
O estetoscópio sobre a barriga
A enfermeira chamou o nome dela. Júlia entrou na sala e viu o médico de costas, olhando o prontuário. Quando ele se virou, os dois ficaram quietos por alguns segundos. Caio sorriu de leve, sem exagerar.
— Júlia. Que surpresa.
Ela assentiu, tentando manter a voz firme. Ele pediu que ela se deitasse na maca. Quando o estetoscópio frio tocou a pele da barriga, Júlia sentiu o bebê mexer. Caio ficou em silêncio, concentrado no som.
A paixão impossível que ressurgiu
Ele terminou o exame e anotou alguma coisa. Depois perguntou como ela estava se sentindo. Júlia respondeu que estava bem, que o bebê estava tranquilo. Caio olhou para ela mais tempo do que o necessário.
— Você está com cara de quem não dorme direito — disse ele, baixo. — Se quiser conversar depois, sem pressa, eu estou aqui.
Júlia balançou a cabeça. Não queria abrir espaço. Mas ao mesmo tempo sentia que precisava de alguém que não soubesse de tudo o que estava acontecendo em casa. Ela já desconfiava que não conseguiria manter a distância para sempre.
Você apareceu na única hora em que eu precisava esquecer quem eu amava.
Caio não respondeu direto. Só fechou o prontuário e disse que os exames estavam bons. Antes de ela sair, ele entregou um cartão com o número do celular.
O olhar de longe
Do outro lado do corredor, Rafael observava a porta da sala. Ele tinha vindo escondido, só para ver se Júlia estava bem. Quando viu Caio sair atrás dela, sentiu o peito apertar. Sabia que não tinha mais direito de cobrar nada, mas doeu mesmo assim.
Júlia caminhou até o elevador sem olhar para trás. Rafael ficou parado até ela sumir de vista. Ele pensou em ir embora sem falar nada. No caminho para o carro, recebeu uma mensagem de Diego cobrando uma reunião. Não respondeu.
Quando chegou em casa, Júlia guardou o cartão do médico na gaveta da cozinha. Não ligou. Mas também não jogou fora. A oferta de ajuda ficou ali, como uma possibilidade que ela ainda não sabia se ia usar.
