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Herdeiras Trocadas — Capítulo 2: A mulher parada no portão

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Helena chega à vinícola e confronta Emily no portão de ferro. Uma taça cai, um nome antigo é lembrado e um exame de DNA ameaça separar tudo de novo.

Herdeiras Trocadas — Capítulo 2: A mulher parada no portão — cena da novela

A noite caía fria sobre os parreirais da Vinícola Valença. Faróis cortaram a escuridão e pararam diante do portão de ferro. Uma taça de vinho tinto escorregou do tapete da varanda e se partiu no chão, o líquido escuro se espalhando como sangue antigo.

Helena desceu do carro devagar. O vento agitava seu casaco contra o corpo. Do outro lado dos grades, a mansão iluminada parecia vigiá-la. Ela apertou o portão com força, como se pudesse dobrar o metal só com a vontade.

A mulher que o vento trouxe de volta

Henrique surgiu na porta principal ainda abotoando o paletó. O olhar dele travou no rosto de Helena por um segundo a mais do que deveria. Emily apareceu logo atrás, o anel de noivado brilhando sob a luz do candelabro.

— Abra o portão, Henrique — disse Helena. A voz saiu baixa, mas cortante.

Emily deu um passo à frente. Não permita que ela entre, pensou, os olhos estreitos.

O abraço que quase aconteceu

Clara apareceu no corredor, ainda com a pulseira roxa no pulso. Helena a viu e o peito pareceu abrir. A mão dela subiu até o gradeado, tremendo.

— Minha filha… — murmurou Helena. Clara parou a poucos metros, o rosto pálido.

Henrique olhou para o chão. Não agora, repetiu para si mesmo, mas o nome dela quase escapou.

Você pode usar o anel dele, Emily

Helena ergueu o queixo. — Você transformou esta casa em território inimigo. Elas são minhas filhas, não suas jogadas.

Emily sorriu devagar. — Eu apenas protejo o que é meu.

Você pode usar o anel dele, Emily, mas foi o meu nome que ele chamou quando pensou que eu não voltaria.

O silêncio que se seguiu pesou como pedra. Henrique fechou os olhos por um instante. Emily tirou um envelope branco do bolso do vestido.

O papel que ninguém esperava

— Isso prova que a garota que você abraçou não é sua filha — disse Emily, estendendo o envelope para Henrique. O papel saiu liso, sem dobra.

Helena apertou mais o portão. Clara recuou um passo, sentindo o chão faltar. Henrique segurou o envelope sem abri-lo, os dedos brancos.

A taça quebrada continuava no tapete, o vinho agora seco e escuro. Um carro distante buzinou na estrada. Helena não soltou o ferro. Henrique não abriu o envelope. Emily guardou as mãos atrás das costas, esperando.