2 min de leitura

A Confeiteira da Vila — Capítulo 1: O bolo cuspido no chão

Novelas grátis pra assistir

Escolha uma novela e assista todos os episódios liberados.

Na Doces da Dalva, um bolo salgado explode em humilhação pública. Vanessa filma tudo e sentencia: aquilo é comida de pobre. Dalva volta à cozinha e encontra o pote de sal aberto.

A Confeiteira da Vila — Capítulo 1: O bolo cuspido no chão — cena da novela

Publicidade

A manhã de sábado invadia a Doces da Dalva pelo balcão aberto. O cheiro de fubá torrado misturava-se ao café passado na hora e ao doce de baunilha que escapava da vitrine embaçada. Clientes se apertavam no pequeno salão, trocando moedas e papos rápidos.

Dalva cortava fatias com precisão, a manga da blusa branca já manchada de açúcar. Um pedaço de bolo de milho esperava no prato de um homem de terno surrado. Ele levou o garfo à boca, mastigou uma vez e cuspiu tudo no piso branco.

O cuspe que parou o balcão

O bolo caiu em pedaços úmidos. O homem bateu o prato na mesa e gritou que aquilo era veneno. Outros clientes recuaram, olhando o chão e depois Dalva. O silêncio durou dois segundos longos antes de virar murmúrio.

Ela limpou as mãos no avental, o coração batendo contra as costelas. O gosto de sal grosso ficou no ar, impossível de ignorar. Não era a receita da avó. Não podia ser.

A mulher da vitrine branca

Vanessa apareceu na porta, celular erguido. Gravava tudo com um sorriso que não chegava aos olhos. A bolsa de couro batia na coxa enquanto ela entrava sem pedir licença. O cheiro de perfume caro sobrepôs o café por um instante.

— Isso é comida de pobre, feita sem técnica nenhuma. — A frase saiu clara, filmada, destinada a viralizar.

Isso é comida de pobre, feita sem técnica nenhuma.

Seu Bento chegou do mercadinho ao lado, braços abertos para afastar os curiosos. Dalva não respondeu. Voltou para a cozinha estreita, o piso rangendo sob os pés. O pote de sal estava aberto sobre a bancada, longe do lugar onde sempre guardava.

O que ficou para trás

A luz amarela da lâmpada velha caía sobre a tigela vazia. Restos de massa grudavam nas bordas. Dalva parou, o avental ainda amarrado na cintura. Alguém tinha passado por ali depois dela.

Do lado de fora, Vanessa guardou o celular e sorriu para a rua. O bairro já comentava. Dalva fechou a porta da cozinha com as costas, o coração pesado.