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A Confeiteira da Vila — Capítulo 3: A ajudante que treme

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Jaqueline segura o envelope no ponto de ônibus quando Dalva descobre os grãos de sal no avental. A verdade começa a escapar entre as duas, carregada de culpa e traição.

A Confeiteira da Vila — Capítulo 3: A ajudante que treme — cena da novela

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O ponto de ônibus na zona leste ainda dormia sob a luz cinzenta do amanhecer. Um vento fino carregava o cheiro de pão fresco das padarias vizinhas, enquanto Jaqueline apertava a bolsa contra o peito.

A moto passou devagar pela calçada, farol baixo apontado para ela. No bolso do avental, o envelope de dinheiro amassado queimava como carvão vivo.

O envelope amassado no bolso

Jaqueline subiu no ônibus lotado e encostou a testa no vidro embaçado. Cada solavanco da rua parecia sacudir a culpa dentro dela. O silêncio dentro do casaco era mais barulhento que o motor.

Vanessa enviava mensagens uma após a outra. “Não fale nada. Ainda não.” Jaqueline guardou o celular sem responder.

Grãos de sal na bancada

Dalva já estava na cozinha quando Jaqueline chegou. A bancada ainda guardava traços da noite anterior: farinha espalhada, tigela virada. Dalva correu os dedos sobre a madeira e parou em pequenos cristais brancos.

Grãos de sal colados ao avental de Jaqueline. Dalva os colheu com dois dedos e ergueu a mão.

— Isso aqui não caiu do céu.

Jaqueline recuou um passo. O avental tremeu em suas mãos.

A ajudante que treme

Dalva aproximou-se devagar, olhos fixos no rosto da moça. O cheiro do café passado mais cedo pairava entre elas, denso como acusação.

— Você ficou sozinha aqui ontem de manhã. Só você.

Jaqueline baixou a cabeça. Lágrimas quentes escorreram pelo queixo e caíram sobre a bancada.

Ela me pagou, Dalva, mas eu juro que não sabia que ia destruir tudo.

Dalva deu um passo atrás. O ar pareceu faltar na cozinha pequena.

— E a receita da Vó Cida? Ela também pediu?

Jaqueline assentiu, quase imperceptível. O envelope caiu no chão, notas verdes se espalhando como folhas secas.

O pote de sal, ainda aberto na prateleira, refletia a luz da janela como um olho acusador.