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A Confeiteira da Vila — Capítulo 4: A receita na vitrine branca

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Na Maison Coutinho, Vanessa apresenta o bolo de fubá como criação própria. Dalva irrompe no salão e confronta a dona da vitrine branca com a verdade roubada.

A Confeiteira da Vila — Capítulo 4: A receita na vitrine branca — cena da novela

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A noite caía sobre a rua nobre como um tecido branco e frio. Luzes de LED iluminavam a fachada da Maison Coutinho, enquanto flores de corte caro enfeitavam mesas de mármore. O cheiro de baunilha artificial pairava no ar, sufocando qualquer memória de fubá torrado.

Dalva parou na calçada oposta, o avental ainda cheirando a cozinha quente. Do outro lado do vidro, influenciadores erguiam os celulares para registrar uma fatia perfeita de bolo servida em prato dourado. O corte era o mesmo que Vó Cida ensinara. O aroma também.

A fatia dourada que ninguém devia reconhecer

Vanessa sorria para as câmeras, o vestido impecável contrastando com a frieza das paredes. Ela ergueu a colher e anunciou a sobremesa como releitura gourmet de família. Os convidados aplaudiram sem saber que aquele doce carregava o gosto de sal espalhado de propósito.

Dalva sentiu o peito apertar. O silêncio antes da explosão pesava como massa descansando. Renato observava do canto, o olhar atento sobre a cobertura que brilhava sob os holofotes. Jaqueline não estava ali, mas a traição ecoava em cada detalhe copiado.

O anúncio que congela o salão

Vanessa deu mais um passo à frente. A receita de família, repetiu ela, como se o papel roubado já tivesse sido esquecido. Dalva avançou até a porta de vidro, o corpo tremeu ao reconhecer o corte exato da avó.

Os flashes piscaram. O ar-condicionado zumbia alto demais. Renato inclinou a cabeça, desconfiado. Vanessa sorriu para a plateia, certa de que ninguém ousaria contestar.

Essa receita tem dono, Vanessa, e não nasceu nessa vitrine fria.

O olhar que Renato não desvia

A frase cortou o salão como faca em massa quente. Vanessa parou, o sorriso congelado. Dalva não recuou. O orgulho da confeitaria popular pulsava agora no meio da elegância alheia.

Renato pegou a fatia que restava no prato dourado. Ele provou devagar, os olhos fixos em Dalva. O bolo era idêntico, até o ponto da cobertura. Ele limpou os lábios e falou baixo, quase para si: precisava ver aquilo repetido sem nenhum papel na frente.

A porta de vidro vibrou quando Dalva saiu. A noite continuava branca e fria do lado de fora, mas o cheiro de bolo verdadeiro já não cabia mais ali.