A chuva caía sem piedade sobre a Mansão das Mentiras, transformando o mármore do hall em um espelho escuro que refletia luzes trêmulas. O envelope oficial escorregou das mãos do advogado e pousou no chão, manchado de água, enquanto o silêncio apertava a garganta de todos.
Isabela parou junto à janela alta, os dedos crispados no parapeito. Do outro lado da sala, Júlia cruzava os braços com precisão cirúrgica. Rafael permanecia de pé, ombros tensos, os olhos fixos no envelope molhado.
O envelope molhado no mármore
O advogado abriu o testamento com dedos trêmulos. As palavras saíram secas, uma a uma, como golpes. Isabela sentiu o chão vacilar quando o nome de Rafael foi lido como herdeiro principal.
Júlia ergueu uma sobrancelha, o sorriso frio mal escondendo a fúria. Rafael deu um passo à frente, a respiração curta.
— Isso é mentira — murmurou Isabela, voz baixa mas cortante.
O advogado pigarreou. O silêncio pesado cobriu a sala como o vapor da chuva lá fora.
A herdeira que perdeu o trono
Isabela virou-se para a madrasta, o olhar demorando em cada detalhe do rosto impassível de Júlia. O anel de família brilhou na mão dela, símbolo de um poder que agora escapava.
Rafael soltou uma risada seca. — A casa sempre foi minha por direito. Vocês só fingiam.
Júlia deu um passo à frente. Você não manda mais nesta casa.
Você não manda mais nesta casa.
Isabela sentiu o sangue subir ao rosto, mas não se moveu. O envelope ainda jazia no chão, esquecido.
O documento que ninguém devia encontrar
Minutos depois, quando todos saíram, Isabela voltou ao escritório vago. Sob a gaveta do pai, encontrou um papel amassado com anotações antigas. A palavra assassinato aparecia riscada, quase invisível.
Ela guardou o documento no bolso do casaco, o coração acelerado. A chuva continuava, batendo no vidro como um aviso.
Uma sombra cruzou o corredor lá fora. Passos leves, mas determinados.
