O lustre de cristal balançava levemente sobre a sala principal da Mansão das Mentiras, refletindo as luzes da festa que Júlia havia organizado para selar seu poder. O cheiro de champanhe misturava-se ao perfume caro das convidadas, enquanto o vento da noite fazia as janelas tremerem. Isabela observava tudo de canto, os olhos fixos no brilho que oscilava acima das cabeças.
A tensão pairava no ar como fumaça de cigarro. Júlia sorria para os convidados, mas seu olhar cortava Rafael sempre que ele se aproximava demais. O meio-irmão mantinha o telefone no bolso, esperando o toque que nunca vinha. Isabela apertou o celular no bolso do vestido, a gravação pronta para explodir tudo.
O lustre que revelou o veneno
Isabela caminhou até o centro da sala. O silêncio caiu quando ela ergueu a taça. Júlia estreitou os olhos. Rafael deu um passo à frente, mas parou ao ver o olhar da irmã.
— Vocês acham que podem esconder para sempre — disse Isabela, a voz baixa e firme. O lustre balançou mais forte, como se respondesse ao tremor nas mãos dela.
Júlia avançou, os saltos ecoando no mármore. — Cale-se, menina. Isso não é lugar para histeria.
Vocês mataram meu pai.
O choque percorreu a sala. Um convidado deixou a taça cair. Rafael ficou paralisado, o rosto pálido sob a luz do lustre.
A herdeira que não esquece
Isabela continuou, os olhos brilhando de raiva contida. — O testamento foi falsificado. Eu tenho as provas. E a conversa que você teve com o advogado, Júlia, está gravada.
Júlia riu, mas o som saiu seco. — Você é só uma herdeira mimada. Ninguém vai acreditar em você.
Rafael deu as costas por um segundo, o telefone vibrando no bolso. Ele pensou na dívida que o prendia à máfia, mas o olhar de Isabela o puxou de volta. Algo entre eles ainda queimava, mesmo depois de tudo.
A porta que se fecha
Sirenes soaram ao longe. A polícia parou na entrada da mansão, o mandado de busca em mãos. Júlia congelou. Isabela sorriu pela primeira vez na noite.
O lustre parou de balançar. O silêncio voltou, pesado, enquanto os convidados se afastavam. Rafael olhou para Isabela uma última vez antes de desaparecer pelo corredor lateral.
Do lado de fora, o mar batia contra o cais de Portovelho. Um barco balançava vazio na água, pronto para afundar ao primeiro golpe.
