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A Rainha do Salão — Capítulo 4: A ideia que acendeu a luz

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Marinalva traça números na cozinha pobre enquanto a lâmpada pisca. Suzane oferece ajuda, mas o muro do dinheiro parece intransponível até a porta bater.

A Rainha do Salão — Capítulo 4: A ideia que acendeu a luz — cena da novela

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A cozinha pequena de Marinalva exalava o cheiro de café requentado. A lâmpada sobre a mesa piscava, lançando sombras que dançavam no caderninho aberto. Ela traçava números com a caneta, mas os zeros não fechavam.

Suzane encostou na porta, o avental ainda cheirando a esmalte. O silêncio pesava entre elas, carregado de tudo que não precisava ser dito.

A lâmpada que se recusava a apagar

Marinalva ergueu o olhar. O caderno tremia levemente em suas mãos. Suzane sentou sem pedir licença, empurrando uma xícara fumegante para a amiga.

— Eles querem que você desapareça, né? — murmurou Suzane.

Marinalva fechou o caderno. O orgulho queimava mais que a lâmpada fraca. Ela pensou no filho Gabriel, nas contas, na tesoura que caíra no chão do Espelho Dourado.

— Eu não vou pedir esmola pra Dona Lúcia — respondeu. A lâmpada piscou forte, depois acendeu firme.

Vou ser a dona do meu destino.

Suzane sorriu de canto, mas os olhos brilhavam úmidos. Elas sabiam que dinheiro era o muro entre o sonho e a rua.

O número que não fechava

Marinalva folheou páginas. Cada valor escrito era um tapa. Suzane apontou para uma coluna.

— Eu ajudo com o que tenho. Mas não chega.

O cheiro de café misturava-se ao silêncio. Marinalva apertou a caneta. Recomeçar exigia mais que orgulho ferido.

A porta que bateu no momento certo

Três batidas secas ecoaram. Marinalva ergueu-se. Thiago estava na soleira, o terno impecável contrastando com a luz pobre da cozinha. Ele segurava uma pasta.

— Posso entrar? Tenho uma proposta.

Suzane olhou para Marinalva. O coração dela bateu mais forte, sem saber por quê. A lâmpada iluminava o rosto dele como um farol inesperado.

Thiago deixou a pasta sobre a mesa, ao lado do caderno. Parceria soava como palavra proibida.