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Império das Mentiras — Capítulo 6: A armadilha da madrasta

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Júlia arma a cilada no escritório com taça de champanhe e documentos falsos. Isabela segura o gravador no bolso enquanto o advogado escolhe lado.

Império das Mentiras — Capítulo 6: A armadilha da madrasta — cena da novela

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No escritório da Montenegro Turismo, a luz do entardecer entrava pelas persianas semiabertas, pintando listras douradas sobre a mesa de mogno. Uma taça de champanhe repousava intacta ao lado de documentos espalhados. O ar cheirava a café requentado e a perfume caro demais para aquele momento.

Isabela apertou o celular no bolso do casaco, sentindo o frio do metal contra os dedos. A visita de Júlia no hospital ainda ardia como uma ferida aberta. Rafael sabia onde ela estava agora. Nada mais era seguro.

A taça que ninguém tocou

Júlia entrou primeiro, passos firmes sobre o carpete. Deixou a porta entreaberta. O advogado a seguiu, maleta na mão, olhar baixo. Isabela apareceu por último, silenciosa.

A madrasta sorriu sem calor. “Sente-se, querida. Temos negócios.” A taça continuou intocada, bolhas subindo devagar como aviso.

O advogado que escolheu

O homem de terno cinza abriu a maleta. Papéis com selos oficiais. Júlia indicou a cadeira ao lado dela. “Ele já assinou o novo acordo.”

Isabela observou o rosto do advogado. Um músculo tremeu em sua mandíbula. Ele já havia escolhido. O silêncio entre eles pesava mais que qualquer cláusula.

Palavras que não voltam

“Você nunca controlou nada aqui”, disse Júlia, voz baixa. “Seu pai sabia disso. Eu só terminei o que ele começou.” A taça escorregou um milímetro na mesa quando Isabela apoiou a mão.

Essa empresa agora é minha.

Isabela não respondeu. O dedo indicador pressionava o botão do gravador dentro do bolso. O advogado desviou o olhar para a janela.

O celular que vibra

Do corredor veio o som abafado de um celular. Rafael ligava. Isabela sentiu o pulso acelerar, mas manteve a postura. Júlia já virava as costas, certa da vitória. O advogado recolheu os papéis sem dizer adeus.

Isabela ficou sozinha com a taça ainda cheia. Do lado de fora, o mar batia contra as pedras do cais de Portovelho. Dentro do bolso, a gravação continuava rodando. Na mansão, alguém já preparava a sala para uma festa que ninguém havia anunciado.