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Café Amargo — Capítulo 4: O beijo que queima a herança

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Na chuva do jardim, Lucas e Clara trocam um beijo proibido. Helena interrompe e joga a sentença. Roberto convoca a família e parte do segredo ameaça vir à tona.

Café Amargo — Capítulo 4: O beijo que queima a herança — cena da novela

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A chuva caía fina sobre o jardim da mansão em Ipanema, molhando as lajotas e refletindo as luzes amareladas da varanda. O vento trazia o cheiro de terra molhada e jasmim. No canto mais escuro, perto da fonte, dois corpos se aproximavam sem palavras.

Lucas segurou o rosto de Clara com cuidado, como se temesse que ela desaparecesse. O beijo veio devagar, interrompido pelo barulho da água batendo nas folhas. O silêncio parecia prometer que nada mais importava.

A chuva que não apaga o desejo

Clara recuou um passo, os lábios ainda quentes. O uniforme da cafeteria Oceano estava encharcado, grudado na pele. Lucas segurou sua mão, puxando-a de volta para o abrigo do beijo.

— Eu não devia estar aqui — sussurrou ela, olhos baixos.

— E eu não devia te querer — respondeu ele, voz rouca.

O beijo interrompido

O som de saltos no cascalho cortou o momento. Helena surgiu sob o guarda-chuva preto, o rosto uma máscara de gelo. O frasco de remédios balançava levemente em sua bolsa.

Ela observou os dois, o olhar demorando em Clara como quem mede uma intrusa. Lucas soltou a mão da garçonete devagar, mas tarde demais.

— Você escolheu a errada… e agora vai pagar.

Você escolheu a errada… e agora vai pagar.

Helena virou as costas sem esperar resposta. A porta de vidro da mansão bateu com força, ecoando no jardim.

O chamado do patriarca

Dentro da casa, Roberto Vargas ajustava o nó da gravata diante do espelho do hall. O telefone tocou. Ele atendeu com o tom que já decidia destinos.

— Quero todos aqui amanhã às nove. Sem faltas — disse, voz firme. Do outro lado da linha, o silêncio de quem já pressentia tempestade.

Clara caminhou até o portão dos fundos, o coração apertado. Algo mudara para sempre no gosto daquele beijo. A luz da varanda apagou, deixando apenas a chuva.