A chuva caía fina sobre o jardim da mansão em Ipanema, molhando as lajotas e refletindo as luzes amareladas da varanda. O vento trazia o cheiro de terra molhada e jasmim. No canto mais escuro, perto da fonte, dois corpos se aproximavam sem palavras.
Lucas segurou o rosto de Clara com cuidado, como se temesse que ela desaparecesse. O beijo veio devagar, interrompido pelo barulho da água batendo nas folhas. O silêncio parecia prometer que nada mais importava.
A chuva que não apaga o desejo
Clara recuou um passo, os lábios ainda quentes. O uniforme da cafeteria Oceano estava encharcado, grudado na pele. Lucas segurou sua mão, puxando-a de volta para o abrigo do beijo.
— Eu não devia estar aqui — sussurrou ela, olhos baixos.
— E eu não devia te querer — respondeu ele, voz rouca.
O beijo interrompido
O som de saltos no cascalho cortou o momento. Helena surgiu sob o guarda-chuva preto, o rosto uma máscara de gelo. O frasco de remédios balançava levemente em sua bolsa.
Ela observou os dois, o olhar demorando em Clara como quem mede uma intrusa. Lucas soltou a mão da garçonete devagar, mas tarde demais.
— Você escolheu a errada… e agora vai pagar.
Você escolheu a errada… e agora vai pagar.
Helena virou as costas sem esperar resposta. A porta de vidro da mansão bateu com força, ecoando no jardim.
O chamado do patriarca
Dentro da casa, Roberto Vargas ajustava o nó da gravata diante do espelho do hall. O telefone tocou. Ele atendeu com o tom que já decidia destinos.
— Quero todos aqui amanhã às nove. Sem faltas — disse, voz firme. Do outro lado da linha, o silêncio de quem já pressentia tempestade.
Clara caminhou até o portão dos fundos, o coração apertado. Algo mudara para sempre no gosto daquele beijo. A luz da varanda apagou, deixando apenas a chuva.
