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A Confeiteira da Vila — Capítulo 8: A massa sob os refletores

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Sob refletores brancos, Dalva enfrenta a acusação de Vanessa no concurso. A tigela treme, a plateia divide-se e um pote de sal avança pelo salão.

A Confeiteira da Vila — Capítulo 8: A massa sob os refletores — cena da novela

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O salão do concurso brilha sob refletores brancos que cortam o ar como lâminas. Câmeras giram devagar, captando o vapor que sobe das tigelas alinhadas nas bancadas. A plateia divide-se em sussurros: do lado esquerdo, vizinhos da zona leste apertam sacolas de plástico; do direito, seguidores de Vanessa exibem celulares.

Dalva segura a colher de madeira da avó. Seus dedos traçam o cabo gasto enquanto o coração bate contra as costelas. Ao lado, Renato observa em silêncio, os olhos fixos na tigela de massa que treme sob o foco.

A tigela que treme sob os refletores

Vanessa surge em vestido branco impecável, um sorriso que não chega aos olhos. Ela deposita sua tigela ao lado da de Dalva e inclina a cabeça, como quem já sabe o resultado.

O silêncio pesa. Dalva mexe a massa devagar, sentindo o peso do olhar alheio. Renato dá um passo à frente, mas um patrocinador o segura pelo braço.

Vanessa ergue a voz, doce como veneno. “Os jurados merecem saber que nem tudo aqui é criação própria.”

A acusação que corta o ar

Os jurados erguem sobrancelhas. Uma câmera se aproxima do rosto de Dalva, que continua mexendo sem desviar o olhar da massa.

Orgulho queima em seu peito. Ela não responde. Apenas deixa a colher cair na tigela com um som seco.

Vanessa avança um passo. “Essa receita não é dela. É da Maison Coutinho. Copiada e mal feita.”

Que vença o talento, porque aparência nenhuma sustenta bolo vazio.

Renato fecha os punhos. A plateia divide-se em aplausos e vaias.

O olhar que Renato não desvia

Dalva ergue os olhos pela primeira vez. Encontra o de Renato, que transmite algo que ela não consegue nomear ainda. Confiança. Ele dá um passo à frente, ignorando o puxão no braço.

— Se há cópia, que se prove — diz ele, voz baixa, mas firme.

Vanessa ri, um som curto e cortante. A câmera captura o tremor nas mãos de Dalva ao redor da colher da avó.

O pote que atravessa o salão

Do fundo do salão, Jaqueline caminha devagar. Carrega um pote de vidro transparente, o sal ainda grudado nas bordas. Seus olhos estão vermelhos, mas o passo não hesita.

A massa continua tremendo sob os refletores. Dalva sente o olhar de Jaqueline chegando. Renato vira a cabeça. Vanessa percebe o movimento e perde o sorriso pela primeira vez.

O salão inteiro parece prender a respiração quando Jaqueline para a poucos metros da mesa dos jurados.