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A Confeiteira da Vila — Capítulo 10: A colher da vitória

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Dalva ergue a colher da avó diante do forno. Vanessa vê sua própria massa desmoronar. No final, a vitória tem gosto de reparação e um pote de sal que já não machuca.

A Confeiteira da Vila — Capítulo 10: A colher da vitória — cena da novela

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O forno industrial range sob a luz branca do estúdio. O aroma de manteiga derretida mistura-se ao cheiro de tensão. Dalva segura a colher de pau da avó, as juntas dos dedos brancas de aperto.

Vanessa, ao lado, força um sorriso para as câmeras. Sua massa já escorre pela lateral da forma, mole demais, sem estrutura. O jurados observam em silêncio.

A colher que brilha no forno

Dalva abre a porta do forno. O calor bate no rosto como uma saudação antiga. A colher de pau reflete o fogo interno, entalhada pelo tempo, marcada pelos dedos de Vó Cida. Ela mexe devagar, sentindo a massa ganhar corpo.

Do outro lado da bancada, Vanessa bate a colher de metal contra a tigela. O som é seco, sem alma. Ela olha para Dalva, o olhar que antes era de desprezo agora carrega pânico.

A massa que desanda

A forma de Vanessa treme na bancada. O bolo incha rápido demais por fora, prometendo perfeição que não existe. Um fiapo de massa crua escapa pela lateral. O público murmura.

Dalva não olha. Termina de alisar sua massa com a colher da avó. Cada movimento é lento, certo. Renato, entre os jurados, anota algo sem desviar os olhos dela.

O doce que não mente

Os jurados pedem os bolos. O de Dalva sai cremoso, a crosta dourada, o perfume de baunilha e limão subindo como memória. O de Vanessa desmorona ao toque da faca, cru no centro, bonito apenas na superfície.

Dalva respira fundo. A voz sai baixa, mas chega a todos:

Feito com carinho, sempre, porque doce feito com raiva não presta.

Vanessa deixa a espátula cair. O som ecoa no estúdio como uma porta que se fecha.

Renato se levanta. Aplaude primeiro. Depois o público inteiro.

O pote de sal na prateleira

Dalva volta ao bairro com o troféu na mão. A confeitaria está lotada. Vizinhos batem palmas na calçada. Vó Cida observa da porta, os olhos úmidos.

Ela pega o pote de sal que Jaqueline usou naquela noite e o coloca na prateleira mais alta, ao lado da foto da avó. Não joga fora. Deixa ali, visível. Uma marca que já não dói.

Renato aparece na calçada, de terno simples. Sorri sem pedir nada. Dalva sorri de volta. A noite cai sobre a zona leste com cheiro de bolo quente saindo do forno outra vez.