A luz amarelada da lâmpada balançava no teto do escritório secreto. Uma foto antiga, rasgada ao meio, jazia sobre a mesa de mogno. O cheiro de papel velho misturava-se ao perfume caro que ainda pairava no ar.
Isabela correu os dedos pela borda rasgada. O silêncio da mansão pesava como uma sentença. Fora, a chuva batia fraca no vidro.
A foto rasgada que não mente
O advogado empurrou a porta com cuidado. Seus sapatos baratos marcaram o chão encerado. Isabela ergueu os olhos e entregou a foto sem dizer palavra.
Ele examinou o rosto do patriarca. Algo não fechava. A data no verso não batia com a versão oficial da morte.
O olhar que Júlia não escondeu
Júlia entrou sem bater. O vestido justo marcava cada passo. Ela parou atrás do advogado e deixou a mão repousar em seu ombro por tempo demais.
O toque demorou. Isabela sentiu o ar mudar. O advogado baixou a foto, mas não se afastou.
Prova que não cabe no bolso
Isabela virou a foto para a luz. Essa foto prova que meu pai foi assassinado.
Essa foto prova que meu pai foi assassinado.
O advogado engoliu em seco. Júlia sorriu de lado, como quem já sabia o que viria a seguir.
A porta que se abre sem aviso
Rafael apareceu no corredor. Sua sombra alongou-se sobre o tapete. Ele carregava um envelope fechado e parou na soleira, olhando os três.
Isabela guardou a foto no bolso. Ninguém respirou. O advogado recuou um passo. Júlia ajustou o colar, calma demais.
Rafael avançou até a mesa. O envelope bateu na madeira com som seco. Ninguém tocou no objeto.
A luz continuou a oscilar. Isabela sentiu o peso da foto contra o peito. O advogado manteve os olhos baixos. Júlia sorriu para o meio-irmão como quem aceita um convite.
Uma brisa entrou pela janela entreaberta. O cheiro de maresia invadiu o cômodo. O envelope permaneceu fechado sobre a mesa.
