O salão principal do Hotel Monteverdi brilhava sob lustres de cristal, mas o ar carregava o peso de olhares furtivos e sussurros contidos. Clara Mendes surgiu na entrada principal, o vestido preto colado ao corpo como armadura, e o silêncio desceu sobre os acionistas reunidos.
Eduardo ergueu a taça de champanhe, o sorriso forçado no rosto. Uma batida de taças soou no mármore. O cristal escorregou de sua mão e se estilhaçou aos seus pés.
O brinde que ninguém esperava
Clara avançou até o centro do salão. Seu olhar encontrou o de Eduardo sem hesitação. O segredo que ela guardara por cinco anos agora pesava como chumbo no ar. Os convidados pararam de respirar.
— Estou grávida — anunciou ela, voz firme. — E o pai é você, Eduardo.
Eduardo tentou sorrir, mas os músculos do maxilar tremiam. Ele estendeu a mão, como se pudesse oferecer algo que apagasse tudo. A proposta saiu baixa, urgente. — Nomeia o preço. Qualquer quantia.
Meu filho vai herdar o que você matou pra conseguir.
O testamento que não queima
O advogado surgiu na porta lateral, o envelope amassado na mão. Raul apareceu logo atrás, o olhar preso em Clara. Bianca recuou um passo, o celular ainda vibrando com a mensagem enviada ao pistoleiro de aluguel.
A leitura do testamento original ecoou no salão. Eduardo, o assassino do próprio pai, estava exposto diante de todos. O cofre das passagens secretas não escondia mais nada. Acionistas murmuravam, câmeras de segurança capturavam cada reação.
A última taça
Bianca ordenou a retirada do filho de Clara. Raul interceptou os homens contratados. Um tiro ecoou, mas foi Bianca quem caiu, ferida, o plano desmoronando junto com ela.
Clara pegou a mão de Raul. Eduardo foi levado algemado. O império de Santa Luzia queimava em silêncio, as chamas refletidas no mármore agora rachado.
O filho de Clara entrou no salão pela mão da babá. Ele olhou para a mãe e sorriu. Uma taça intacta permaneceu sobre a mesa principal, refletindo a luz que nascia do mar.
