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A Herdeira Esquecida — Capítulo 8: O veneno que voltou para quem serviu

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Letícia prepara o veneno na taça de cristal enquanto Antônio tenta se aproximar da filha que nunca reconheceu. O plano que deveria atingir Maria Flor agora ameaça quem mais protege a herança.

A Herdeira Esquecida — Capítulo 8: O veneno que voltou para quem serviu — cena da novela

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A luz do lustre balançava sobre a pia de mármore, refletindo no aço das facas alinhadas. O cheiro de café requentado misturava-se ao doce veneno que Letícia despejava, gota a gota, na taça de cristal que Antônio tanto apreciava. Do lado de fora, a noite caía sobre São Conrado como um véu pesado.

Júnior empurrou a porta da cozinha devagar. O irmão mais novo carregava ainda nos bolsos os documentos que entregara a Maria Flor horas antes. O silêncio da casa parecia saber de tudo.

O lustre que revelou o frio

Letícia não se virou. Seus dedos continuavam firmes no frasco pequeno. A taça já estava cheia até a metade, o líquido escuro refletindo o rosto dela sem emoção.

— Você não devia estar aqui — disse ela, voz baixa.

Júnior parou a poucos passos. A aliança no dedo dele apertava a pele.

— Pai quer falar com você. Ele viu o que aconteceu na sala de reuniões.

A taça que não era para ele

Antônio surgiu no corredor, passos lentos, a mão no peito. O mal-estar da tarde ainda o acompanhava. Ele parou na entrada da cozinha e viu a taça sobre a bancada.

— Deixe isso, Letícia. Não é hora de servir nada.

Letícia ergueu o olhar. O ódio brilhou por um segundo antes de ser engolido pelo sorriso.

— Ninguém vai tirar essa herança de mim… nem mesmo você, pai.

Ninguém vai tirar essa herança de mim… nem mesmo você, pai.

Júnior deu um passo à frente. A taça escorregou um centímetro na bancada, o cristal rangendo contra o mármore.

O olhar que não mentia mais

Antônio segurou a beirada da porta. O rosto dele empalideceu de repente. Ele olhou para a taça, depois para a filha, e entendeu o que o silêncio da cozinha estava dizendo.

— Você já fez o suficiente — murmurou. — Deixe a garota em paz.

Letícia não respondeu. O silêncio pesado da mansão pareceu engrossar ao redor deles.

Júnior segurou o braço do pai. A taça ficou ali, imóvel, esperando.

O veneno que escolheu o dono

Antônio levou a mão à boca. O gosto amargo que ele jurava sentir já subia pela garganta. Letícia observava tudo sem mover um músculo.

O lustre acima deles oscilou uma última vez. A taça de cristal refletiu a luz como um olho que não piscava.

Júnior puxou o pai para fora da cozinha. A porta bateu devagar atrás deles, deixando Letícia sozinha com o que restava da noite.