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Café Amargo — Capítulo 8: O último café amargo

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Clara descobre o testamento escondido e enfrenta a traição final de Lucas. No Oceano vazio, o último café amargo revela quem realmente herda o império Vargas.

Café Amargo — Capítulo 8: O último café amargo — cena da novela

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O entardecer caía sobre a cafeteria Oceano como um véu cinza. Xícaras vazias alinhadas no balcão refletiam a luz fraca que entrava pela vitrine. No meio do piso, uma xícara quebrada jazia esquecida, o café seco formando uma mancha escura.

Clara limpava a bancada devagar, o olhar perdido. Lucas entrou sem fazer barulho. O silêncio entre eles pesava mais que qualquer palavra.

O traidor à porta

Ele parou a alguns passos. As mãos de Clara pararam no pano. Lucas tirou o celular do bolso e deixou-o sobre a mesa, a tela ainda acesa com uma mensagem curta.

Eu não podia mais esconder, pensou ela ao ler o nome do remetente. O coração apertou.

— Você entregou tudo para Helena — murmurou Clara.

Lucas baixou a cabeça. O anel de família que Roberto jogara na mesa no dia anterior brilhava no bolso dele, roubado.

A confissão no balcão

— Eu te ajudei no começo — disse Lucas, voz rouca. — Mas quando vi o que o dinheiro podia comprar, mudei de lado.

Clara sentiu o cheiro do café velho misturado ao perfume caro dele. A bandeja que um dia derrubara sobre Helena parecia voltar agora, invisível, entre os dois.

O olhar dele não tinha mais calor. Apenas cálculo.

Eu te amei… mas o dinheiro sempre vence.

Clara engoliu o nó na garganta. No fundo da gaveta, a mensagem do aliado misterioso vibrava: o testamento escondido por Roberto estava em um cofre no sobrado de Ipanema.

O testamento sob o piso

Lucas saiu sem olhar para trás. Clara fechou a porta e correu para o endereço que a mensagem indicava. Dona Rosa a esperava no sobrado, olhos marejados.

Juntas, elas encontraram o envelope amassado atrás de uma tábua solta. O nome de Clara aparecia ali, negro sobre o papel amarelado.

Helena chegou minutos depois, o rosto desfigurado pela raiva. Roberto estava ao lado dela, mudo.

O último gole

Clara ergueu o documento. A herança, a paternidade, tudo estava ali. Helena recuou. Lucas observava da rua, perdido.

— Minha dignidade não se negocia — disse Clara, voz firme.

Dona Rosa segurou a mão da filha. O cheiro de café fresco subia da rua, misturado à maresia de Copacabana. A porta do sobrado bateu devagar ao vento, como um ponto final.