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A Herdeira Esquecida — Capítulo 9: A mansão que agora tem novo dono

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No enterro de Antônio, Maria Flor segura a taça rachada enquanto Letícia é expulsa. O poder muda de mãos sob a chuva fina, mas a vingança ainda respira.

A Herdeira Esquecida — Capítulo 9: A mansão que agora tem novo dono — cena da novela

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A chuva fina caía sobre o cemitério como um véu cinza, molhando as lápides e escorrendo pelos vidros dos carros pretos alinhados. Maria Flor apertava contra o peito a taça de cristal rachada, o último vestígio da mansão que agora parecia mais fria que o túmulo aberto à sua frente.

O silêncio era denso, interrompido apenas pelo chiado dos pneus na terra molhada. Letícia observava tudo de longe, o olhar cortante como lâmina, enquanto o peso da herança perdida já apertava seu pescoço.

O enterro sob a chuva que não perdoa

Maria Flor parou ao lado da cova. A taça escorregou um pouco em sua mão, refletindo o céu carregado. Júnior aproximou-se devagar, os ombros curvados, e parou a poucos passos.

— Eu vi tudo — murmurou ele. — E não fiz nada.

Letícia deu um passo à frente, os saltos afundando na lama. Seu rosto estava marcado pela raiva, mas também pelo medo que começava a tomar conta.

A taça rachada que ninguém mais ignora

Maria Flor ergueu a taça para a luz fraca. Uma gota de chuva escorreu pela rachadura, como uma lágrima que demorava a cair. Letícia riu baixo, um som seco e cortante.

— Você sempre foi boa em segurar o que não é seu — cuspiu ela.

Júnior respirou fundo e virou-se para a multidão que observava. Ele falou baixo, mas as palavras carregaram longe.

Essa casa nunca foi sua, Letícia… e agora ela tem dona de verdade.

Letícia recuou como se tivesse levado um tapa. O vento soprou mais forte, fazendo as flores no caixão tremerem.

A expulsão que ecoa na mansão vazia

Os empregados abriram caminho. Letícia foi conduzida até o portão da mansão, os olhos brilhando de ódio. Maria Flor ficou na varanda, a taça ainda em mãos, enquanto a chuva batia no telhado.

Justiça não tinha sabor de vitória, apenas de um vazio que começava a se abrir. Júnior ficou ao lado dela, sem tocar, sem pedir mais nada.

Letícia parou uma última vez no portão. O carro a esperava, mas ela não entrou de imediato. Virou o rosto para a mansão e cuspiu no chão molhado.

O perdão pedido que chega tarde demais

Júnior ajoelhou-se na grama úmida, a voz embargada. Maria Flor não respondeu. Apenas apertou mais a taça, sentindo a borda afiada contra a palma.

Letícia desapareceu na rua escura. A mansão pareceu respirar aliviada, mas o ar ainda trazia o cheiro de veneno que um dia quase matou todos ali dentro.

Uma luz acendeu na janela do quarto de Antônio. Maria Flor ergueu os olhos. O vento fechou a porta dos fundos com um baque seco, como se a casa já soubesse quem mandava agora.