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A Lâmina e o Nome — Capítulo 1: O prato devolvido ao balcão

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Sakura vê seu prato devolvido ao chão e a dignidade questionada em praça pública. Um vídeo já circula e sua inscrição no festival acaba de ser suspensa.

A Lâmina e o Nome — Capítulo 1: O prato devolvido ao balcão — cena da novela

O Mercado Sol Nascente fervia ao meio-dia. O cheiro de arroz avinagrado subia das bancas e se misturava ao peixe fresco cortado na hora. Lâmpadas vermelhas pendiam sobre as calçadas estreitas enquanto o sol batia nos prédios novos que avançavam sobre o bairro.

Uma fatia de salmão brilhante escorregou do prato e caiu no chão rachado. O silêncio que se seguiu durou apenas um instante.

O prato que ricocheteou no silêncio

Sakura limpou as mãos no pano branco e ergueu o olhar. Ricardo Sakamoto estava diante do balcão, terno impecável, voz alta o suficiente para que todos parassem.

— Isso não é comida. É resto de feira — disse ele, empurrando o prato de volta.

Ela não respondeu de imediato. Apenas recolheu o peixe do chão com cuidado, como se ainda pudesse salvá-lo.

Palavras que cortam mais que a lâmina

O avô Hiroshi observava da porta dos fundos, mãos cruzadas atrás do corpo. Não interferiu. Mateus, ao lado, fingia arrumar o balcão enquanto filmava discretamente com o celular.

Ricardo sorriu para a câmera que alguém já apontava.

— Mulher de feira jamais será chef. Volte para o seu lugar.

Você não está julgando meu prato; está decidindo quem tem direito de existir nesta cozinha.

A frase ficou no ar. Sakura sentiu o rosto queimar, mas manteve a coluna reta. Os clientes começaram a se afastar.

O vídeo que já rodava

Horas depois, no pequeno quarto atrás do quiosque, o celular de Sakura vibrou sem parar. O vídeo de Ricardo já tinha milhares de visualizações. A inscrição dela no festival apareceu na tela com uma única palavra: suspensa.

Hiroshi fechou a gaveta devagar. A noite caía sobre o mercado agora vazio.

Uma mensagem anônima confirmava o que ela já suspeitava: alguém tinha entregue documentos que não deveria.