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A Lâmina e o Nome — Capítulo 10: A faca diante das câmeras

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Na final ao vivo, a yanagiba de Hiroshi reflete os holofotes enquanto Sakura enfrenta Ricardo e Lucas escolhe entre império e dignidade.

A Lâmina e o Nome — Capítulo 10: A faca diante das câmeras — cena da novela

O telão gigante dominava a praça do Mercado Sol Nascente, projetando lâmpadas vermelhas que piscavam como corações acelerados. A yanagiba antiga de Hiroshi refletia cada luz, lâmina polida guardando décadas de cortes silenciosos. Sakura apertou o cabo, o peso familiar acalmando o pulso antes da câmera piscar.

Lucas surgiu entre os jurados, terno amarrotado, sem o relógio que marcava o império. Ricardo ajustava o avental branco, suor já brilhando na testa sob os holofotes. O mercado inteiro parou — bancas fechadas, olhares fixos na transmissão ao vivo.

A lâmina que não mente

Sakura posicionou o peixe na tábua. O primeiro corte saiu preciso, sem hesitação. O silêncio do público pesava mais que qualquer aplauso. Ricardo ao lado copiava o movimento, mas a lâmina dele tremia, deixando a fatia irregular. Câmeras captavam cada detalhe.

Ele tentou sorrir para as lentes. “Técnica de família”, murmurou. Sakura não respondeu. Apenas continuou, mãos firmes, o cheiro de peixe fresco subindo com o vapor.

O depoimento que ecoou no telão

Mateus apareceu na tela lateral, voz trêmula. “Ricardo pagou pela suspensão da inscrição dela.” O mercado explodiu em murmúrios. Ricardo girou, rosto vermelho. Lucas ergueu os contratos diante das câmeras, páginas tremendo ao vento quente.

“A técnica nunca foi sua”, disse Lucas. Ricardo cuspiu uma resposta curta, mas as imagens já rodavam: documentos antigos com o nome de Hiroshi em caligrafia miúda. A multidão não aplaudiu. Apenas observou.

O corte que devolveu o nome

A degustação às cegas terminou em minutos tensos. Jurados provaram os dois pratos. Sakura ficou parada, yanagiba ao lado, esperando. Ricardo secou a testa com o dorso da mão.

O veredicto saiu claro: vitória por autoria. O registro seria corrigido. Ricardo afastado do festival por fraude. A lâmina de Hiroshi brilhou mais forte sob os lampiões quando Sakura a ergueu.

Peixe bom não pergunta seu sobrenome; só revela quem teve coragem de tratá-lo com respeito.

Lucas caminhou até ela, sem olhar para os repórteres. “Eu escolho você”, disse baixo. Sakura guardou a faca na bainha de couro.

O quiosque que vira escola

Meses depois, o Mercado Sol Nascente recebia mesas de aula simples. Sakura recusou a proposta de transformar o quiosque em filial de luxo. Em vez disso, abriu as portas para jovens do bairro aprenderem a técnica que sempre foi de Hiroshi.

Lucas ajudava a montar as bancadas, mangas arregaçadas. O noivado antigo morreu nos jornais. Nenhum contrato os prendia agora. Apenas o cheiro de arroz e o som das lâminas afiadas.

À noite, a yanagiba descansava na vitrine, refletindo as luzes vermelhas que nunca se apagavam. O mercado continuava. O nome, enfim, também.