O salão principal da Vinícola Valença exalava o perfume doce das flores brancas que cobriam cada superfície. O vestido de noiva pendia diante da lareira, as rendas tremendo ao menor sopro de vento que entrava pela janela entreaberta. Três dias. Apenas três dias separavam o altar da verdade que ninguém queria encarar.
Emily passou os dedos pela seda, os olhos estreitos, enquanto o fogo crepitava baixo. Henrique ficou à sombra da porta, os ombros tensos sob o paletó escuro. Helena observava tudo de longe, o coração apertado por uma paixão que o tempo não havia conseguido apagar.
O vestido que esconde a armadilha
Emily girou devagar, o tecido roçando o piso de madeira. Henrique não conseguia desviar o olhar do vestido, mas sua mente estava longe dali. Ele sabia que as filhas preparavam algo, sentia no ar o cheiro de armadilha.
— Três dias, Henrique. É tudo o que peço — murmurou ela, a voz suave como veludo.
Ele assentiu sem responder. O silêncio entre eles pesava mais que qualquer palavra.
A troca que elas decidem
Clara e Lara estavam no quarto antigo, o envelope com a carta de posse ainda sobre a mesa. Elas sabiam que Emily não esperaria. A troca de identidades era a única forma de arrancar a verdade.
— Eu falo com ela primeiro — disse Clara, os dedos apertando o pingente da pulseira.
Lara assentiu, os olhos brilhando com determinação. O plano precisava funcionar antes que o casamento selasse tudo.
Paixão que o tempo não apagou
Helena encontrou Henrique no corredor que dava para os parreirais. O olhar dele demorou em seu rosto, e por um instante o passado voltou inteiro. Ela já sabia que não devia estar ali.
— Não case com ela — sussurrou Helena, a voz baixa.
Henrique fechou os olhos. O noivado era uma corrente que ele mesmo havia forjado.
A confissão que escapa
Emily, vendo Clara se aproximar, não percebeu a troca. Acreditava falar com a filha impulsiva. As palavras saíram antes que pudesse contê-las.
— Eu nunca amei Henrique. Preciso apenas da assinatura dele para terminar o que comecei.
Você não está correndo para o altar, Emily; está fugindo da verdade.
Clara sentiu o chão tremer sob os pés. A frase ficou pairando no ar como fumaça de pólvora.
Emily virou-se, o sorriso congelado. O cheiro de flores brancas parecia sufocar o salão inteiro.
