A chuva fina caía sobre o Mercado Sol Nascente, transformando as poças em espelhos vermelhos sob os lampiões. As barracas estavam fechadas, mas o cheiro de peixe fresco ainda pairava no ar úmido. Um guarda-chuva aberto jazia esquecido entre duas bancas, balançando ao vento.
Lucas caminhava devagar, o casaco colado ao corpo. Sakura o esperava atrás do quiosque, os olhos fixos no reflexo dos lampiões. O silêncio entre eles era mais denso que a neblina.
O lampião que revelou o nome
Ela deu um passo à frente, a mão ainda úmida de chuva. Lucas parou, o olhar preso ao dela.
— Por que continua ajudando se sua família comanda o festival? — perguntou ela, a voz baixa.
Ele engoliu seco. O envelope com o nome da empresa da família queimava no bolso.
O beijo que carregava culpa
Sakura viu o sobrenome no documento que escorregou. Valença. O mesmo que financiava Ricardo e mantinha o mercado fora do alcance dela. O coração apertou.
— Você entrou na minha vida como aliado, mas carrega no bolso a chave da porta que fecharam pra mim.
Você entrou na minha vida como aliado, mas carrega no bolso a chave da porta que fecharam pra mim.
Lucas estendeu a mão. Ela recuou, depois avançou. Os lábios se encontraram atrás dos lampiões, o gosto de chuva misturado à culpa. O guarda-chuva balançou ao lado, testemunha silenciosa.
A fotografia que viaja na escuridão
Do outro lado do mercado, Ricardo esperava a mensagem. O celular vibrou. Uma foto chegou sem remetente: os dois se beijando. Ele sorriu, os olhos estreitos.
Sakura afastou o rosto, o peito arfando. Lucas segurou seu pulso por um segundo a mais. Nenhum dos dois viu a lente apontada entre as barracas.
