Marta fechou a porta da casa de Luciana pela manhã e foi trabalhar no restaurante como de costume. Meses se passaram desde a saída de casa, e ela já não contava os dias. O que ela ainda não sabia era que aquele pagamento mudaria tudo de um jeito simples, sem drama.
O envelope ao lado da lista
Henrique entregou o envelope na cozinha movimentada. Marta guardou na bolsa sem abrir na hora. Só à noite, sentada na mesa pequena de Luciana, ela contou as notas. Havia o suficiente para encher a geladeira e ainda sobrar.
Ela pegou uma caneta e fez a lista: carne, ovos, arroz, feijão, legumes. Pela primeira vez, eu não preciso perguntar se posso comprar alguma coisa. A frase saiu sozinha, quase em voz baixa. Luciana sorriu do outro lado da mesa, mas não disse nada.
Cláudio ligou de novo
O celular tocou duas vezes naquela semana. Cláudio falava baixo, pedia para conversar, dizia que Renata tinha sumido e que ele estava sozinho. Marta ouviu até o fim, depois desligou. Não havia raiva, só cansaço. Ela já tinha respondido tudo que precisava responder meses antes, quando saiu de casa.
Henrique a encontrou na porta do restaurante no fim do expediente. Ele admitiu que ainda gostava dela, que sempre gostou. Marta olhou para ele e falou direto: não trocaria uma dependência por outra. Qualquer coisa entre eles só faria sentido quando ela estivesse inteira, sozinha primeiro.
O jantar com Luciana
No sábado ela foi ao mercado sozinha. Comprou a carne que escolheu, os ovos, tudo da lista. Nenhuma devolução, nenhum recibo escondido. Voltou para casa de Luciana e preparou o jantar. As duas comeram em silêncio no começo, depois riram de algo pequeno que nem importava.
Ela já desconfiava que ia doer menos do que imaginava. O dinheiro estava na conta dela agora. Não era muito, mas era seu. Cláudio não sabia o número, Henrique não controlava. Pela primeira vez, o futuro parecia só dela.
