Na sala de reuniões dos Alcântara, os papéis estavam jogados sobre a mesa como se tivessem sido atirados ali de qualquer jeito. Elisa apertava o contrato com os dedos, mas o que ela ainda não sabia era que a pior parte daquele dia nem tinha começado. O dinheiro mudava de dono de novo, só que dessa vez ninguém saía ganhando.
A reunião que ninguém queria
Vanessa falava rápido, apontando para números que ninguém entendia direito. Davi ficava calado no fundo da sala, olhando para a irmã como se tentasse adivinhar até onde ela ia chegar. Elisa só queria o que era dela por direito e que reconhecessem o que a mãe dela passou. Ricardo, pela primeira vez, parecia pequeno ali no meio de tanta gente de terno.
Um dos documentos mostrava que várias aplicações do prêmio tinham sido feitas em empresas ligadas a Vanessa. Ricardo leu duas vezes. O nome dele aparecia só de fachada.
A traição pelo dinheiro
Vanessa tentou desviar o assunto, dizendo que tudo era para proteger o patrimônio. Davi interrompeu baixo: “Isso não é proteção, Van. Isso é roubo”. Elisa ficou em silêncio, olhando para o contrato que dividia o que restava. Ricardo levantou a voz pela primeira vez: “Você não me amava pobre, Vanessa; só esperou eu ter dinheiro suficiente para poder me roubar.”
O papel rasgado ao meio caiu no chão. Vanessa saiu da sala sem olhar para trás. Davi ficou mais um minuto, depois saiu também, sem dizer nada para Elisa.
A casa vazia
Ricardo pegou um ônibus até Vila Esperança. Chegou sem carro, sem Vanessa e sem o casaco caro que tinha comprado no mês passado. Bateu na porta da casa antiga. Ninguém atendeu. A fechadura não respondia mais à chave dele. Dentro, só o vento passando pelas janelas abertas e um prato seco na mesa da cozinha. Ele ficou ali parado, olhando para o quintal onde Caio costumava brincar.
