Marcelo parou a vassoura no meio-fio quando viu Vanessa descendo do táxi. A chuva caía forte, encharcando o uniforme azul que ele vestia desde as cinco da manhã. Ele sorriu ao reconhecê-la, mas algo no jeito como ela ajustava a bolsa já deixou o ar mais pesado. O que ele ainda não sabia era que a pior parte daquele dia nem tinha começado.
A vassoura encharcada no meio-fio
Ele caminhou até ela com os braços abertos. A água escorria pelo rosto, mas o sorriso continuou. Vanessa recuou um passo, olhando rápido para os portões do condomínio. Ela não queria que ninguém visse.
“Marcelo, para”, ela disse baixo. “Não faz isso aqui.”
Ele parou. A vassoura ficou caída no chão, molhada e esquecida. “Faz tempo que não te vejo. Vim trabalhar nessa quadra hoje.”
O abraço que ela recusou
Vanessa olhou para o uniforme dele, depois para o próprio casaco seco. “Você não pode chegar assim perto. Os moradores estão olhando.”
Marcelo sentiu o peito apertar. “Foi vestido assim que eu trabalhei para pagar a vida que você agora tem vergonha de mostrar.”
Ela não respondeu. A chuva batia no concreto entre os dois. Um carro preto parou na entrada do condomínio e a porta se abriu.
O carro preto na entrada
Henrique desceu do banco de trás, guarda-chuva na mão. “Amor, por que está aí na chuva?”
Vanessa congelou. Marcelo olhou do homem para ela, sem entender direito o que tinha acabado de ouvir. Amor. A palavra ficou no ar como se tivesse peso.
Ela deu um passo para o lado, afastando-se de Marcelo sem dizer nada. Henrique esperava, a mão estendida. A chuva continuava caindo.
