Marta ajustou o cinto do vestido no camarim lotado. O salão já estava cheio, a luz branca cortando a passarela ao meio. Ela sabia que precisava mostrar seu trabalho sem depender de ninguém, mas o que ela ainda não sabia era que a maior surpresa da noite viria do outro lado daquela faixa.
A passarela dividida
Os jurados sentaram com a tesoura dourada na mesa. De um lado, os modelos de Marta entravam em silêncio. Do outro, as peças de Bianca brilhavam sob holofotes mais fortes. Ninguém aplaudia ainda. O público observava, comparando cada detalhe.
Leonor ficou nos bastidores, segurando a bolsa apertada. Ela tinha visto os croquis de Marta meses antes. Agora via os mesmos cortes sendo copiados do outro lado da luz.
O vestido que não deveria existir
Clara gravava tudo do canto, o celular treme no bolso. Gabriel ficou perto da saída, sem conseguir se aproximar. Marta passou por ele rápido, só um olhar.
Quando o modelo principal de Bianca apareceu, Marta parou. O decote, a manga, o jeito como a saia caía. Era um desenho que ela ainda não tinha mostrado para ninguém. O caderno guardava aquele traço exato.
Ela sentiu o peito apertar. Como ele chegou ali?
Hoje não vence a marca mais cara. Vence a mulher que sabe de onde cada vestido nasceu.
Marta repetiu a frase baixa, só para si. A última modelo de Bianca girou e voltou. O tecido balançou do mesmo jeito que ela tinha imaginado no papel.
A virada que ninguém esperava
Os jurados anotaram. Bianca sorriu para as câmeras. Marta ficou parada nos fundos, olhando fixo para o vestido que não era dela. O desenho ainda inédito estava ali, exposto, como se sempre tivesse pertencido à outra.
Algo mudaria dali em diante. Ela só não sabia ainda o que faria com aquela certeza.
