Marta ficou no terraço depois que todo mundo saiu. O vestido azul ainda brilhava na luz fraca, mas o que ela queria mesmo era entender por que Gabriel tinha ficado. O que ela ainda não sabia era que o beijo que viria mudaria tudo antes do fim da noite.
O terraço e a fita métrica
As luzes da São Paulo piscavam lá embaixo. Uma fita métrica estava presa no corrimão, esquecida depois da prova. Marta encostou a mão nela e ficou em silêncio. Gabriel parou ao lado, as mãos no bolso do paletó.
— Você salvou o vestido — disse ele por fim. — Ninguém esperava isso.
Ela deu de ombros. — Tinha que salvar. Não ia deixar o rasgo acabar com tudo.
O que ele queria contar
Gabriel respirou fundo. Queria dizer que tinha sido noivo de Bianca anos atrás, que pagou a primeira coleção dela com o dinheiro da família. Mas as palavras não saíam. Marta olhava a cidade como se tentasse acreditar que ele não fazia parte de nenhuma armação.
— Eu só quero que você saiba que não estou aqui por causa dela — falou ele. Marta virou o rosto devagar. Ela já desconfiava de alguma coisa, mas não desse tipo de coisa.
O beijo e a chegada
Eles se aproximaram sem planejar. O beijo foi rápido, quase tímido no começo, depois mais fundo. Marta sentiu o coração bater forte. Eu me apaixonei pelo homem que pode ter ajudado a construir a mulher que me destruiu, pensou ela enquanto os lábios dele ainda estavam nos seus.
O som de passos no degrau interrompeu tudo. Bianca subiu no terraço, o celular na mão. Olhou os dois e sorriu de lado.
— Gabriel, você ainda não contou pra ela que a gente já foi noivo?
Marta deu um passo pra trás. Gabriel ficou congelado. Bianca parou perto da fita métrica no corrimão e esperou a reação chegar.
