Marta entrou no salão da seleção carregando o vestido azul profundo que tinha costurado à mão na noite anterior. A modelo já estava posicionada quando a costura lateral cedeu de repente e um carretel de linha fina rolou pelo piso de mármore. O que ela ainda não sabia era que a pior parte daquele dia nem tinha começado.
O rasgo que parou a apresentação
O silêncio tomou conta do salão por alguns segundos. Fotógrafos abaixaram as câmeras. Os avaliadores trocaram olhares. Marta sentiu o sangue subir ao rosto, mas deu dois passos à frente antes que alguém pedisse para tirar a modelo de lá.
A linha original tinha sido trocada durante a madrugada, exatamente como o resumo anterior indicava. Gabriel, do outro lado da sala, fez menção de se aproximar, mas parou quando viu que ela já segurava o tecido.
A costura virada em fenda
Marta pediu uma tesoura pequena e, com as mãos tremendo, transformou o rasgo em uma fenda lateral elegante. A modelo girou devagar. O vestido continuou no corpo, agora com um detalhe que ninguém tinha planejado. Os avaliadores anotaram algo e a seleção seguiu.
Do outro lado da cidade, em uma sala fechada, Bianca assistia pela transmissão privada. Leonor estava ao lado dela, quieta. Ninguém no salão sabia que a costureira veterana tinha entrado na casa-ateliê na noite anterior.
Podem quebrar a costura, mas vão ter que me quebrar junto para impedir esse vestido de sair daqui.
Clara, que filmava tudo de um canto, guardou o celular no bolso. Ela tinha reconhecido a figura que saía pela porta dos fundos na madrugada, horas antes do desfile.
O que Clara viu na noite anterior
Quando a classificação foi anunciada e Marta passou para a próxima etapa, Clara puxou a mãe para um corredor lateral. A filha não conseguiu segurar a informação. Leonor estava lá, repetiu ela duas vezes. Marta parou de andar. O vestido azul ainda estava nas mãos da modelo, mas o nome que acabara de ser dito mudou tudo que ela tinha acabado de conseguir.
