Júlia não fazia ideia de quanto a situação financeira de Renato já tinha escapado do controle. As cobranças começaram a chegar na semana anterior e ela resolveu conferir os papéis sozinha. O que ela ainda não sabia era que a pior parte daquele dia nem tinha começado.
A visita de Camila
Camila bateu na porta sem aviso, como fazia quando queria evitar conversa. Entrou direto na sala e deixou a bolsa no sofá. Júlia estava no quarto, revistando a pilha de contas que Renato havia guardado na gaveta de baixo.
— Não mexe nisso — disse Camila, parando na porta do quarto. — É coisa do Renato.
Júlia ergueu o olhar. Por que a cunhada parecia tão nervosa?
O envelope atrás da caixa
Camila tentou distraí-la, falando da filha e do tempo seco. Júlia não caiu. Subiu no banquinho e alcançou o alto do armário, onde uma caixa de sapatos guardava documentos antigos. Atrás dela havia um envelope marrom, dobrado ao meio.
— Deixa isso quieto, Júlia. Por favor.
Júlia abriu o envelope. Dentro, três folhas de papel timbrado do banco, com valores altos e datas vencidas. Renato devia quase quarenta mil reais.
A frase que mudou tudo
Camila respirou fundo antes de falar.
Se você soubesse quanto ele deve, não dormiria nessa casa hoje.
Júlia ficou parada, olhando para as folhas. Renato chegou em casa meia hora depois, suado da rua. Disse que era só um atraso, que ia resolver. Mas o olhar dele não convenceu ninguém.
Júlia guardou o envelope de volta, sem dizer onde tinha achado. Quando a noite caiu, ela mandou mensagem para Diego pedindo para conversar. A resposta dele chegou rápido. Na cozinha, o celular dela ficou virado para baixo na mesa enquanto eles falavam baixo. O silêncio entre os dois durou mais do que o necessário. Júlia sentiu que estava prestes a contar algo que nunca tinha dito para ninguém.
