Marta acordou com o som do chuveiro ligado. Cláudio estava no banheiro. O celular dele vibrou duas vezes na mesinha. Ela estendeu a mão no escuro e a tela iluminou seu rosto.
A notificação que apareceu no escuro
O nome do banco não era o mesmo que eles usavam. Era uma instituição pequena, de nome estranho. Marta apertou o botão lateral para apagar a luz, mas a notificação ficou gravada na memória. Ela escutou a água caindo e pensou em devolver o aparelho para o lugar.
Não devolveu. Abriu a tela de notificações com o polegar. A mensagem mostrava um depósito recente e depois um gasto em uma loja de roupas no centro. O valor era alto, quase o que ela gastava em um mês inteiro de mercado.
Os gastos que não batiam
Marta rolou a tela devagar. Havia transferências para bares, restaurantes e uma compra de perfume cara feita duas semanas antes. Ela reconheceu o nome do lugar: ficava a duas quadras da clínica onde Renata trabalhava. A dificuldade existia, mas só dentro da minha vida.
Os dedos tremeram um pouco. Ela abriu a câmera do próprio celular e fotografou três telas seguidas: uma com o saldo, outra com os restaurantes, a última com o endereço da loja. O chuveiro parou de fazer barulho. Marta fechou tudo rápido e colocou o aparelho de volta na mesinha, virado para baixo.
Cláudio saiu do banheiro enrolado na toalha. Perguntou se ela tinha dormido bem. Marta respondeu que sim, com a voz rouca. Ele se vestiu no escuro e saiu para o trabalho sem ligar para o celular.
O que ficou guardado
Quando a porta bateu, Marta ficou sentada na cama. As fotos estavam no rolo do celular dela agora. Ela olhou para a parede e pensou na conta que Cláudio sempre dizia que não existia. Era mentira desde o começo. Os números provavam que a miséria era só para ela.
Antes de levantar, ela abriu o mapa no celular e marcou o bairro dos gastos. Era o mesmo onde Renata morava e trabalhava. Marta guardou o telefone no bolso do vestido e foi até a cozinha. O café tinha esfriado na panela. Ela não esquentou. Guardou os comprovantes mentais e decidiu que precisava mostrar para alguém. A irmã seria a primeira.
