O copo escorregou da bancada por engano e a água se espalhou pelo piso da sala. Júlia se abaixou rápido para limpar, mas Renato já estava de pé, apontando. Diego estava ali, sentado no sofá, e viu tudo. O que ela ainda não sabia era que aquele acidente pequeno ia mudar o jeito como ele via o amigo dali em diante.
O copo tombado na sala
Renato falou alto, repetindo que ninguém em casa fazia nada direito. Júlia segurou o pano e respondeu baixo que ia resolver. Ele não parou. Continuou falando de como as coisas só pioravam quando ela tentava ajudar. Diego mexeu no celular, mas não conseguia ignorar a voz.
Júlia terminou de secar o chão e guardou o pano. Queria que a conversa acabasse ali, antes que virasse briga de verdade. Renato bateu a mão na mesa e disse que ninguém saía dali sem entender quem mandava. Ela já tinha ouvido isso outras vezes, mas agora tinha testemunha.
A discussão que saiu para fora
Diego se levantou e pediu para Renato dar uma parada. Os dois foram para a calçada. Lá fora, a voz baixou um pouco, mas as palavras ficaram mais pesadas. Diego falou que Júlia parecia ter medo toda vez que o marido levantava a voz. Renato ficou quieto por uns segundos, depois respondeu que isso não era assunto dele.
Tá vendo o que eu aguento dentro da minha própria casa?
Renato voltou para dentro, passou reto pela sala e foi para o quarto. Júlia terminou de arrumar a cozinha sem falar nada. Diego ficou mais um pouco, depois disse que precisava ir embora. Antes de sair, olhou para ela e fez um gesto pequeno de cabeça, quase um pedido de desculpa por não ter feito mais.
Ele não conseguia mais ficar calado. No caminho para casa, pensou na dívida que Renato nunca mencionava e em como as coisas pareciam estar escapando do controle. Júlia guardou o pano molhado e ficou olhando a sala vazia. Algo tinha mudado, mesmo sem ninguém dizer em voz alta.
