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O Bilhete da Traição — Capítulo 3: Moedas no chão

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Elisa carregou caixas o dia todo no depósito. Quando Arnaldo jogou as moedas no chão, ela não esperava que a maior surpresa viria depois, ao encontrar um comprovante no bolso de Ricardo.

Elisa carregou caixas o dia inteiro dentro do depósito abafado. As costas doíam e o suor escorria pelo rosto, mas ela repetia para si mesma que precisava do dinheiro para Caio. Arnaldo observava tudo de longe, sem oferecer ajuda. O que ela ainda não sabia era que a pior parte daquele dia nem tinha acabado quando ela voltasse para casa.

Caixas empilhadas no concreto

Arnaldo mandou que ela subisse no caminhão e descesse as caixas uma por uma. Elisa não reclamou. Pensava na geladeira vazia e na pergunta que Caio faria de novo à noite. Cada caixa parecia mais pesada que a anterior, mas ela continuava. Depois de três horas, as mãos dela estavam cheias de arranhões.

Arnaldo passou perto dela e jogou um saco de ração no chão. Ele não disse nada, só apontou para o relógio. Elisa entendeu que o dia ainda estava longe de terminar.

O pagamento jogado no chão

Quando o sol já baixava, Arnaldo contou as moedas na palma da mão. Jogou tudo no concreto, perto dos pés dela. O som metálico ecoou no galpão vazio. Elisa ficou parada por um segundo, olhando as moedas espalhadas.

Se precisa tanto do dinheiro, não devia ter vergonha de se abaixar.

Arnaldo disse isso sem levantar a voz. O rosto dele mudou por um instante, como se algo nela lhe parecesse familiar. Elisa se abaixou devagar, recolheu as moedas uma a uma e guardou no bolso. Não respondeu. Saiu do depósito carregando uma sacola pequena com o que havia conseguido comprar.

O comprovante no bolso

Em casa, Caio dormia no sofá. Elisa guardou as compras na cozinha e foi separar as roupas sujas para lavar. No bolso de uma calça velha de Ricardo encontrou um papel dobrado. Era um comprovante de pagamento da loteria, com data de semanas antes. O valor batia exatamente com o dinheiro que ela tinha guardado para comida e contas do mês.

Ela leu o papel duas vezes. O bilhete premiado tinha sido pago com o que era dela. Ricardo nunca tinha contado isso. O nome dele estava no comprovante, mas o dinheiro saíra do envelope que ela escondia debaixo do colchão. Elisa sentou no chão da cozinha, ainda com as moedas do depósito no outro bolso. Pela primeira vez pensou em procurar alguém que entendesse de documentos e direitos.