No salão do restaurante, Henrique ajustava o paletó enquanto observava os convidados. Ele queria transformar a noite num pedido público de desculpas e recuperar algo que já não existia. Dona Lúcia estava ali, quieta, sem prometer nada.
O jantar que prometia redenção
Camila chegou com Rafael ao lado, sem esconder a proximidade que Henrique já tinha notado dias antes. Henrique subiu no pequeno palco improvisado e começou a falar. Admitiu que mentira sobre a própria origem, que traiu Camila e que tratou a mãe como peso. A sala ficou em silêncio.
A marmita na prateleira
Rafael tinha colocado a velha marmita restaurada numa prateleira visível da cozinha. Lúcia a viu ao passar e parou por um segundo. Era o único objeto que restava daquele tempo em que ela vendia o que tinha para salvar o filho. Ela não sorriu.
A mãe que disse não
Henrique desceu do palco e foi até ela. Pediu que aceitasse o pedido de desculpas na frente de todo mundo. Lúcia olhou o filho, depois olhou a sala e respondeu sem elevar a voz.
Eu continuo sendo sua mãe, Henrique, mas isso não obriga mais a minha vida a caber dentro dos seus arrependimentos.
Camila e Rafael se afastaram juntos, sem explicação para ninguém. Henrique ficou parado no meio do salão. Dona Lúcia pegou a bolsa, atravessou a porta da frente e saiu sem pedir licença.
