Marta ficou do lado de fora do restaurante e observou a mesa sendo arrumada. Duas taças, um guardanapo dobrado no lugar vazio. O comprovante que achou no bolso de Cláudio indicava exatamente aquela data. O que ela ainda não sabia era que a pior parte daquele dia nem tinha começado.
O restaurante que ela nunca tinha entrado
Ela não entrou logo. Ficou na calçada, olhando pela janela, tentando imaginar se era só uma reunião de trabalho como Cláudio tinha dito. O lugar era daqueles que Marta via de relance ao passar de ônibus. Preço alto, luz baixa, garçons de camisa preta.
Luciana tinha mandado mensagem meia hora antes: “Não inventa coincidência. Vai lá e pergunta.” Marta respondeu só com um emoji de ponto de interrogação. No fundo, sabia que a irmã tinha razão. Mas saber não era o mesmo que aguentar a resposta.
Jantar para duas pessoas
Quando entrou, pediu para falar com o garçom que atendia a mesa do canto. Mostrou o comprovante de forma discreta, sem fazer cena. O homem olhou a data, confirmou no bloquinho e disse que sim, a reserva estava registrada para duas pessoas.
Ele dizia que não podia comprar carne, mas pagava jantar pra dois. A frase passou pela cabeça dela como uma lâmina. Marta agradeceu, saiu depressa e parou na calçada de novo. O ar parecia mais pesado do lado de fora.
Ela ainda pensava em voltar para casa quando o celular vibrou. Número desconhecido. Atendeu por reflexo.
A ligação que mudou o rumo
Era Henrique. A voz dele soou calma, como sempre. “Marta, tô precisando de alguém pra ajudar na cozinha do restaurante. Lembra que você fazia aqueles pratos que vendiam rápido? Queria te oferecer uma vaga de verdade, com salário certo.”
Ela ficou sem fala por alguns segundos. Henrique explicou que o lugar era pequeno, mas pagava em dia e tinha horário flexível. Uma chance de voltar a trabalhar de verdade. Antes que Marta pudesse responder, outra ligação entrou na linha. Cláudio. Ela não atendeu.
Guardou o telefone no bolso e olhou para o restaurante mais uma vez. A segunda taça continuava lá, vazia, esperando alguém que ela ainda não sabia quem era. Mas a oferta de Henrique já estava na cabeça dela, pesada e concreta.
