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A Conta Escondida — Capítulo 3: O cartão que ela desconhecia

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Marta compara o recibo do perfume com os cartões da casa e encontra mais uma prova no bolso de Cláudio. Luciana aponta o que a irmã ainda não quer ver.

Marta arrumou as contas vencidas sobre a mesa da sala e abriu a gaveta onde guardara o recibo do perfume. O valor não batia com nenhum dos cartões que ela conhecia. O cartão desconhecido aparecia ali, limpo, sem nome que ela reconhecesse. O que ela ainda não sabia era que a noite guardava mais uma prova que mudaria tudo.

A pilha de boletos na mesa

Ela dobrou a nota fiscal e colocou em cima dos boletos de luz e condomínio. Cláudio tinha dito que o perfume era presente de trabalho, mas o pagamento saíra de uma conta que nunca ouvira falar. Marta pegou o celular e tentou acessar o app do banco deles. A senha não funcionava mais.

Cláudio passou pela sala apressado, pegou a mochila e avisou que ia trabalhar até tarde. Ela não respondeu. Quando a porta bateu, ela voltou para a mesa e procurou no extrato do mês anterior. Nada. O cartão que pagara o perfume simplesmente não existia nos papéis da casa.

O cartão desconhecido no recibo

Luciana chegou sem avisar, como sempre. Trouxe dois cafés e sentou do lado da irmã sem tirar o olhar da pilha de papéis. Marta contou o que tinha acontecido com o perfume e mostrou o recibo. Luciana pegou o papel, leu o banco impresso no canto e franziu a testa.

Você não está procurando dinheiro, Marta. Está procurando a verdade.

Marta ficou quieta. Sabia que a irmã tinha razão, mas ainda não queria admitir. Luciana perguntou se Cláudio já tinha falado daquele banco alguma vez. Marta balançou a cabeça. Nunca.

O bolso da calça suja

Depois que Luciana foi embora, Marta pegou as calças que Cláudio tinha deixado no cesto de roupa suja. No bolso de trás encontrou outro papel dobrado. Era um comprovante de restaurante. O valor era alto, quase o dobro do que gastavam na feira toda semana. A data era de uma noite em que ele jurara que estava fazendo hora extra no depósito.

Ela leu o nome do lugar duas vezes. Um restaurante que ela só tinha visto de fora, de passagem de ônibus. Ele dizia que não tinha dinheiro nem para um lanche, pensou. Guardou o comprovante junto com o recibo do perfume e ficou olhando a janela. A rua estava quieta, mas a cabeça dela já corria. Talvez fosse hora de passar na frente daquele restaurante só para ver se o nome batia com alguma coisa.