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A Última Costura — Capítulo 4: O homem do guarda-chuva

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Marta protegia os retalhos na chuva do Bixiga quando Gabriel apareceu com o guarda-chuva. O cartão que ele deixou guardava uma ligação que ela não esperava encontrar.

A chuva caía forte sobre as barracas da feira do Bixiga. Marta tentava cobrir os retalhos com a lona furada, mas a água já escorria pelo chão de pedra. Ela precisava de tecido novo para recomeçar, mesmo sem saber direito por onde.

A lona rasgada na feira

Marta curvou o corpo sobre os pedaços de linho e algodão. O vento empurrava a água para dentro da barraca improvisada. Ela pensou em voltar para casa, mas o dinheiro que tinha era pouco e os preços só subiam.

Leonor ainda não tinha dado notícias depois da conversa no ateliê. Marta não sabia se a colega voltaria a falar com ela algum dia.

O homem do guarda-chuva

Um guarda-chuva preto parou ao lado dela. O homem que o segurava vestia paletó simples e olhou os retalhos molhados.

— Precisa de ajuda? — perguntou ele.

Marta endireitou o corpo devagar. Reconheceu o rosto de Gabriel Mendes, o curador que já tinha passado pela Maison Bianca.

Eu reconheço talento quando vejo; o que não reconheço é o nome que colocaram em cima dele.

Ele explicou que tinha visto um vestido na loja de Bianca e queria saber quem o fizera de verdade. Marta ficou quieta, segurando o tecido contra o peito.

O cartão virado na mão

Gabriel ofereceu um espaço na seleção de novos estilistas que estava montando. Falou baixo, como quem oferece algo que pode ser recusado. Marta aceitou o cartão dele por educação.

Quando ele foi embora, ela virou o cartão entre os dedos. O logo antigo apareceu no canto, o mesmo da empresa que Bianca usava para comprar tecido anos atrás. O nome dela estava ligado ali. Marta guardou o cartão no bolso e olhou a chuva que ainda não parava.

Ela pensou em jogar o cartão fora, mas guardou. Não era hora de decidir nada. Ainda precisava comprar o tecido e voltar para casa antes que Clara perguntasse onde ela tinha sumido.