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Antes do Sim — Capítulo 4: Entra pela porta de serviço, querida

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No corredor de serviço, Dona Vera lembra a Aline seu lugar com educação afiada. Fernando passa sem olhar. A maleta pesa no chão encardido.

Antes do Sim — Capítulo 4: Entra pela porta de serviço, querida — cena da novela

O corredor de serviço do hotel cheirava a alvejante e a lençóis úmidos. Azulejos frios refletiam as luzes fracas do teto, enquanto carrinhos de rouparia suja rangiam ao passar. Aline apertava o cabo da maleta, o peso puxando seu ombro como se quisesse prendê-la ali.

Ela só queria atravessar rápido, terminar o serviço e sumir antes que o dia virasse noite. O encontro com a foto ainda latejava na memória, mas o corredor não dava espaço para pensar.

A voz que não precisa gritar

Dona Vera apareceu no fim do corredor como quem já esperava o momento. Atrás dela, dois garçons e uma camareira pararam de trabalhar, fingindo arrumar prateleiras. A matriarca sorriu com educação impecável, olhos frios sobre a maquiadora que carregava a maleta.

O silêncio ficou pesado quando Vera deu um passo à frente. Aline sentiu o olhar das outras funcionárias nas costas.

— Você é apenas a maquiadora, querida — disse Vera, voz baixa e afiada. — Mães solteiras costumam ter dificuldade com o padrão que exigimos aqui. Não é crítica, é constatação.

Você é apenas a maquiadora, querida.

Aline sentiu o queixo travar. Engoliu a resposta que subia pela garganta e ajustou o peso da maleta no chão encardido.

O olhar que desvia

Do outro lado do corredor, Fernando surgiu de braço dado com Isabela. O noivo trajava camisa impecável, o sorriso treinado de quem já treinou aquele papel mil vezes. Isabela falava baixo, radiante, sem notar a tensão que pairava.

Fernando viu Aline. Por um segundo, o olhar dele vacilou. Depois desviou, como quem passa por um móvel antigo que já não serve. A noiva apertou seu braço e continuou andando, alheia.

A maleta ficou parada ao lado do carrinho de lençóis sujos. Aline não moveu um músculo.

O peso que permanece

Vera deu meia-volta, satisfeita com a coreografia que acabara de impor. As funcionárias voltaram ao trabalho sem dizer palavra. Aline pegou a maleta novamente, os dedos doendo de tanto apertar.

Ela entendeu, ali, que Fernando não pretendia fingir por muito tempo. O corredor continuava frio, mas algo dentro dela havia mudado de temperatura.