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Antes do Sim — Capítulo 7: A gentileza que dói mais que o insulto

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Isabela abre o coração entre testes de batom e espelhos triplos, enquanto Aline carrega o peso de um segredo que transforma cada gentileza em punhal.

Antes do Sim — Capítulo 7: A gentileza que dói mais que o insulto — cena da novela

A luz da tarde entrava pelas cortinas de seda da suíte, pintando o chão de tons dourados que pareciam derreter sobre o carpete grosso. O cheiro de tecido novo e perfume caro pairava no ar, misturado ao leve aroma de café frio esquecido em uma xícara sobre a mesinha lateral. Aline ajustava os pincéis em silêncio, sentindo o peso dos espelhos triplos que multiplicavam cada gesto.

Isabela girava devagar diante do reflexo, o vestido de prova marcando a cintura com precisão cirúrgica. Os olhos dela procuravam algo além do tecido: procuravam presença. Aline manteve o olhar baixo, concentrada no batom que testava na própria mão. O silêncio entre elas era denso, como se cada respiração pudesse rachar a fina camada de gentileza que as separava.

O espelho que as iguala

Isabela parou de girar. No reflexo triplo, as duas mulheres apareciam lado a lado, a mesma altura, sem que a distância de classe pudesse ser medida ali. Aline sentiu o estômago apertar. Sabia o que Fernando escondia. Sabia o que o envelope rejeitado significava. Cada elogio da noiva chegava como lâmina.

— Você tem mãos firmes — disse Isabela, virando o rosto para que Aline aplicasse o tom de boca. — Ninguém nunca me olhou assim antes de um casamento. Como se eu fosse só… eu.

Aline engoliu em seco. O batom escorregou um milímetro além do contorno. O orgulho dela gritava para manter a parede. Mas as palavras da noiva continuavam, suaves e cortantes.

A solidão que ninguém compra

Isabela sentou-se na beira da cama, o vestido se abrindo em leque ao redor. A mãe decidira tudo: o noivo, o dia, até o tom das flores. Aline ouvia sem interromper, o pincel suspenso no ar. Cada frase revelava uma rachadura que Fernando explorara.

— Eles me tratam como herdeira, nunca como pessoa. Você é a primeira em meses que não desvia o olhar quando falo — continuou Isabela, um sorriso pequeno e cansado nos lábios. — Eu queria ter uma amiga de verdade.

Eu queria ter uma amiga de verdade.

A frase pairou. Aline sentiu o gosto amargo na boca. A culpa subiu como onda. Fernando desaparecia às quintas-feiras. Isabela mencionou o fato de passagem, como quem reclama de um hábito chato, sem saber que aquela informação era uma faca apontada para o próprio peito.

O segredo que o vestido não esconde

O vestido voltou para o cabide com um sussurro de cetim. Isabela tocou o ombro de Aline ao passar, um gesto leve que pesou mais que qualquer insulto. Aline não correspondeu. Apenas guardou os pincéis, o movimento preciso escondendo o tremor nas mãos.

Do lado de fora, o dia caía. Aline saiu da suíte carregando a certeza de que a paz que carregava era frágil, e que a próxima quinta-feira traria mais do que simples ausências. Isabela ficou olhando o espelho vazio, alisando o próprio braço como quem consola alguém que ainda não sabe que precisa.