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Antes do Sim — Capítulo 11: O primeiro rosto que ela pintou pra si

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Aline senta na própria cadeira pela primeira vez. Isabela assiste. Entre pincéis gastos e um espelho virado, duas mulheres escolhem o que fazer com a vida que sobrou depois do altar.

Antes do Sim — Capítulo 11: O primeiro rosto que ela pintou pra si — cena da novela

A luz do ring-light recaía suave sobre a bancada bagunçada. Pincéis secos ainda cheiravam a base barata e café frio. Theo dormia no sofá, o ronco leve misturando-se ao silêncio que ficara depois da igreja.

Aline parou na porta do estúdio improvisado. Isabela estava sentada na cadeira de cliente, sem maquiagem, o vestido de noiva trocado por uma camiseta emprestada. Nenhuma das duas falava. O peso do que tinham visto ainda pairava entre elas.

Aline fechou a porta. O clique ecoou como ponto final de algo maior.

O espelho que nunca fora virado

Isabela olhou o próprio reflexo pela primeira vez sem filtro. Os olhos inchados não escondiam nada. Aline se aproximou devagar, pegou um lenço e limpou uma mancha de rímel na bochecha dela.

— Você não precisa fingir que está bem — disse Aline, voz baixa.

Isabela segurou o pulso dela por um segundo. O toque era leve, quase um pedido de licença.

A cadeira que ninguém sentava

Aline puxou a cadeira giratória para o centro. Pela primeira vez em anos, sentou-se do lado de quem pede. Pegou o pincel mais gasto, aquele que usava só para clientes. O cabo rachado roçou sua palma.

O silêncio pesado entre as duas era diferente de todos os outros silêncios que já tinham carregado. Não havia cobrança. Havia só espaço.

Isabela observou. Aline passou o pincel seco no próprio rosto, traçando linhas invisíveis. O gesto era lento, quase ritual.

O primeiro traço que ela não cobriu

— Eu sempre pintei os outros — murmurou Aline. — Nunca o meu.

Isabela se levantou e ficou atrás dela, olhando o espelho. Nenhuma sombra de Fernando restava ali. Só as duas, o Theo respirando baixo e a manhã de domingo entrando pela janela rachada.

Aline apertou o pincel. Agora sou eu.

Agora sou eu.

Isabela sorriu de canto, pequeno e verdadeiro. Pela primeira vez, o sorriso não servia para agradar ninguém.

O celular de Aline vibrou na bancada. Uma mensagem nova. Nome de cliente. Uma noiva da próxima semana. A agenda começava a encher de novo, sem favores, sem mentiras.

Aline guardou o pincel. Não fechou a mensagem. Deixou o telefone vibrando baixo enquanto o sol subia sobre Vila Serena.