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Antes do Sim — Capítulo 9: Me conta, eu preciso saber

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Na suíte nupcial, Isabela empurra a foto do menino até Aline. O silêncio pesa até que a verdade precise ser dita. Nenhuma das duas sai ilesa.

Antes do Sim — Capítulo 9: Me conta, eu preciso saber — cena da novela

A suíte nupcial flutua no silêncio da madrugada. O vestido branco pende do cabide como um fantasma de cetim, imóvel sob a luz baixa do abajur. Duas taças de champanhe permanecem intocadas sobre a mesa de mármore, o líquido já sem bolhas.

Isabela gira o anel no dedo sem tirar os olhos da foto. Aline fica de pé junto à penteadeira, as mãos ainda marcadas de pó de maquiagem. O ar cheira a flores murchas e perfume caro.

A foto entre os pincéis

Isabela caminha devagar até a penteadeira. Coloca a imagem do menino sobre o tampo de vidro, empurra com dois dedos até que ela pare entre os pincéis. O silêncio se alonga, denso, até que o tique-taque do relógio de parede soe como martelo.

Aline reconhece o olhar do filho na foto. O coração bate contra as costelas. Ela não toca a imagem. Apenas respira fundo, sentindo o cheiro do café frio que sobrou na xícara da noite anterior.

Isabela espera. Os olhos claros não piscam. Quando fala, a voz sai baixa, quase um pedido.

Me conta. Eu preciso saber.

O peso da verdade

Aline fecha os olhos por um segundo. Vê o Theo dormindo no quarto pequeno, o caderno de desenhos aberto no chão. Sente o orgulho que sempre a impediu de pedir qualquer coisa. Agora esse mesmo orgulho a obriga a falar.

— Ele se chama Theo. Tem três anos. O pai pagou para que ninguém soubesse.

Isabela apoia as mãos na borda da penteadeira. Os ombros sobem e descem uma vez, devagar. Nenhum choro vem. Só o silêncio que aceita e que destrói ao mesmo tempo.

O acordo antes do altar

As duas mulheres se olham sem pressa. Aline vê na noiva a mesma ferida que carrega desde a calçada. Isabela vê na maquiadora a dignidade que sempre quis para si.

— Amanhã, na igreja, eu paro o casamento — diz Isabela. — Você fica no fundo. Quando eu pedir, vem.

Aline assente. Não há promessa de amizade. Há apenas o entendimento de que nenhuma das duas mentirá mais para proteger o mesmo homem. A foto permanece sobre a penteadeira, entre os pincéis, como uma sentença silenciosa.

Do lado de fora, o elevador sobe e desce sem parar. A cidade não dorme. Elas também não.