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A Herdeira Esquecida — Capítulo 1: O uniforme rasgado diante de todos

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Na festa de noivado de Letícia, a taça de cristal se quebra quando o uniforme de Maria Flor é rasgado diante de todos. A acusação de roubo cai como uma sentença.

A Herdeira Esquecida — Capítulo 1: O uniforme rasgado diante de todos — cena da novela

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O salão da mansão dos Albuquerque brilhava sob luzes de cristal, mas o ar carregava o peso de vozes abafadas e taças tilintando. Na varanda que dava para o morro, a noite do Rio descia úmida, carregando o cheiro de terra molhada da favela lá embaixo. Maria Flor equilibrou a bandeja de prata, os olhos baixos, sentindo o tecido do uniforme apertar contra a pele.

Letícia riu alto no centro da sala, o anel de noivado refletindo em cada movimento exagerado. Antônio observava de sua poltrona, o rosto imóvel como a estátua do jardim. A taça de cristal da família, herdada de gerações, tremulava na mesa central quando um convidado esbarrou nela.

O esbarrão que revelou a fúria

Letícia aproximou-se de Maria Flor com passos lentos, o vestido branco arrastando no mármore. A empregada ergueu a bandeja para oferecer champanhe, mas a herdeira parou à frente dela. O silêncio caiu como uma cortina quando Letícia apontou para o colar desaparecido do próprio pescoço.

— Você roubou, não foi? A voz de Letícia cortou o ar, doce e venenosa. Os convidados ricos se afastaram em semicírculo, olhos curiosos e julgadores. Maria Flor sentiu o calor subir pelo rosto, o cheiro de perfume caro sufocando-a.

A taça que quebrou primeiro

Letícia agarrou a manga do uniforme e puxou com força. O tecido rasgou com um som seco, ecoando mais alto que qualquer risada. A taça de cristal escorregou da mesa e se estilhaçou no chão, fragmentos espalhados como pedaços de vidas partidas. Antônio não se moveu, os dedos apertando o braço da poltrona.

Maria Flor recuou, o uniforme aberto no ombro, expondo a pele marcada por anos de trabalho. Letícia sorriu, satisfeita, e deu o passo final.

Tira essa empregadinha daqui agora, ela não merece nem respirar o mesmo ar que a gente.

O envelope sob a porta

Dois seguranças arrastaram Maria Flor pelo corredor até a entrada da mansão. A porta se fechou atrás dela com um baque seco. No degrau, quase pisando sem ver, estava um envelope velho, amassado, com a borda suja de poeira. Ela o pegou instintivamente, o coração acelerado.

A rua descia em direção à favela, as luzes amarelas piscando distantes. Maria Flor apertou o envelope contra o peito, sentindo algo quadrado e plano dentro dele — uma foto, talvez. O vento trouxe o primeiro pingo de chuva.