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Fogo e Traição — Capítulo 1: A Descoberta

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Larissa flagra Rafael com sua melhor amiga na própria cama. No confronto explosivo, descobre que há segredos muito maiores em jogo — e um homem do passado reaparece com respostas perigosas.

Fogo e Traição — Capítulo 1: A Descoberta — cena da novela


A chuva tamborilava no vidro do carro enquanto Larissa passava em frente ao condomínio. Seu celular vibrava no bolso — mais uma mensagem de Rafael dizendo que chegaria tarde no escritório. Ela sorriu amargo. Rafael sempre chegava tarde. Mas desta vez, ela tinha voltado cedo.

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A chave girou na fechadura com o mesmo silêncio de sempre. A casa cheirava a café e a algo mais — um perfume que não era seu. Larissa congelou no hall. Seu coração acelerou sem motivo aparente, como um animal que presencia o perigo antes de vê-lo.

O som que não deveria existir

Vinha do quarto. Um riso. Aquele riso. Larissa conhecia cada nota daquele riso como conhecia sua própria respiração. Era de Mariana. Sua Mariana. A amiga de sete anos. A madrinha de seu futuro filho — sim, porque Rafael e ela estavam tentando engravidar.

Os pés de Larissa moveram-se sozinhos pelo corredor. Cada degrau da escada interna ecoava como um batimento cardíaco. O quarto estava semiabertu. A luz da tarde atravessava a fresta, e ali, sobre sua cama, estava o mundo inteiro desabando.

Rafael. Mariana. Pele contra pele. As mãos dele — aquelas mãos que a tocavam todas as noites — estavam no corpo dela. Os olhos de Larissa piscaram uma, duas, três vezes. Talvez fosse alucinação. Talvez ela ainda estivesse no carro, em algum pesadelo de trânsito.

Mas não era.

O grito que queimou a garganta

A porta do quarto voou para trás. Larissa nem lembrava de ter empurrado. Rafael pulou da cama como se tivesse levado um choque elétrico. Mariana gritou. Houve um segundo — apenas um segundo — em que ninguém se mexeu, como se o tempo tivesse parado para registrar o momento exato em que tudo morria.

Depois, o caos.

Rafael tentou falar. Suas palavras saíram atropeladas, mentiras prontas na ponta da língua como se as tivesse ensaiado.

“Larissa, não é o que você está vendo.”

Ele já se vestia, desajeitado, patético. Mariana puxava o lençol sobre o corpo, os olhos marejados — aqueles olhos que juravam lealdade eterno.

Larissa não gritou. Não chorou. Não fez nada daquilo que as mulheres traídas fazem nas novelas. Em vez disso, ela saiu do quarto, desceu as escadas com a coluna ereta, e foi até a cozinha. Pegou uma xícara de café — a xícara que Rafael havia deixado sobre a pia, aquela que ele sempre usava — e a atirou contra a parede. A porcelana se partiu em cacos que pareciam pequenas verdades quebradas.

O segredo que mudou tudo

Rafael a alcançou na sala. Ele estava vestido agora, o cabelo despenteado, a expressão desesperada. Mariana vinha atrás, envolvida em um dos robes de Larissa — uma cena tão obscena, tão profana, que fez o chão girar sob seus pés.

Larissa abriu a boca para falar, mas Rafael interrompeu.

“Eu posso explicar tudo. Mas você precisa me ouvir com calma. Há algo que você não sabe sobre Mariana. Sobre nós. Sobre…”

Ele pausou. Seu rosto pálido ficou ainda mais branco. E naquele instante, Larissa viu algo nos olhos dele que a assustou mais do que a traição — medo. Medo genuíno.

“Sobre o quê?” perguntou Larissa, sua voz cortante como vidro.

Rafael trocou um olhar com Mariana. Um olhar que revelava cumplicidade além do sexo. Além da paixão. Algo mais profundo. Algo que vinha de antes. Mariana negou com a cabeça, implorando silenciosamente.

“Larissa…” começou Rafael.

Mas Larissa não esperou. Ela pegou a bolsa, saiu da casa, e bateu a porta com uma força que fez os vidros vibrarem. Enquanto descia a rua, seu telefone vibrou. Uma mensagem de um número desconhecido.

“Sei o que Rafael está escondendo. Precisamos conversar. — Victor Ashford.”

Larissa parou no meio da calçada. Victor Ashford. O homem que seu pai havia destroçado financeiramente uma década atrás. O homem cuja família desapareceu da vida dela justamente quando ela conheceu Rafael. O homem que a mãe de Larissa havia proibido que ela procurasse.

Ela digitou uma resposta com dedos trêmulos: “Quando e onde.”

A resposta veio instantaneamente: “Amanhã, 19h, no Grão de Ouro. Venha sozinha.”

Larissa guardou o telefone e respirou fundo. O ar da noite queimava seus pulmões. Alguma coisa havia mudado. Alguma coisa havia virado do avesso, e ela estava prestes a descobrir que a traição de Rafael era apenas a ponta de um iceberg muito maior — um segredo que envolvia sua própria família, seu próprio passado, e talvez, apenas talvez, a chance de se tornar alguém que Rafael nunca poderia imaginar.