Marta ficou na cozinha olhando o frasco de perfume ao lado do pacote de salsicha. Cláudio tinha saído de novo e a sacola ainda estava aberta no chão. O que ela ainda não sabia era que o papel que guardaria ali mudaria o jeito como via cada gasto da casa.
A espera com o perfume na mesa
Os minutos passavam devagar. Marta limpou a bancada duas vezes só para ter algo para fazer. Quando a porta rangeu, Cláudio entrou com a cara de quem já esperava pergunta.
— Deixei o recibo aqui — disse ela, apontando para a nota fiscal em cima da mesa.
A explicação que não convenceu
Cláudio parou, viu o frasco e tentou pegar antes que ela falasse mais.
— É presente pro cliente novo. Negócio de trabalho.
Marta apontou para o valor. Ele não respondeu de imediato. O silêncio fez o ar da cozinha ficar mais pesado.
— Você me fez escolher comida e agora quer que eu finja que isso é normal? — ela falou baixo, mas as palavras saíram sem filtro.
Cláudio pegou o frasco, guardou na sacola e foi embora do cômodo. Marta ficou sozinha com a nota fiscal ainda ali. Sem pensar duas vezes, dobrou o papel e colocou dentro do bolso do avental.
A conta escondida no cartão
Quando olhou de novo para o nome impresso embaixo, viu um banco que nunca tinha ouvido o marido mencionar. O cartão terminava em números que não combinavam com nenhum dos que eles usavam em casa. Marta sentiu o chão da cozinha mais frio debaixo dos pés. Ela guardou o recibo no fundo da gaveta da pia e fechou a porta do armário devagar, como quem sabe que acabou de encontrar o primeiro pedaço de uma coisa maior.
