Clara entrou na Confeitaria Valença e parou na porta. Na vitrine principal, sob a redoma de vidro, estava uma torta igual à que ela havia criado. O nome escrito na plaquinha era de Isadora. O que ela ainda não sabia era que a pior parte daquele dia nem tinha começado.
A torta com outro nome
Beatriz passou por ela sem cumprimentar. Isadora sorria para os clientes que tiravam fotos da sobremesa. Clara reconheceu o recheio, o ponto da massa, o jeito de finalizar com as amêndoas. Era a receita da mãe, sem dúvida.
Ela caminhou até o balcão. Alguém tinha copiado tudo. O caderno continuava em casa, trancado na gaveta, mas aquilo ali era prova de que alguém tinha visto as páginas.
O confronto na cozinha
Rafael tentou intervir quando Clara pediu explicação. Disse que a confeitaria podia ter criado algo parecido, que receitas se repetiam. Beatriz apareceu com uma pasta de documentos.
— Registramos essa torta no nome da empresa semana passada — disse ela, mostrando o papel. A data era recente, mas o carimbo parecia antigo. Clara não acreditou. Alguém mexeu no caderno dela.
Roubaram a voz da minha mãe e agora querem roubar a minha.
Isadora riu baixo e saiu para atender um cliente. Rafael ficou em silêncio, olhando para o chão.
A foto que revelou tudo
À tarde, Clara viu o material promocional que a confeitaria tinha mandado imprimir. Na foto da torta, havia uma mancha pequena no canto da página, exatamente igual à mancha de café que ela mesma tinha feito no caderno da mãe. Ninguém da família Valença poderia saber daquele detalhe.
Ela pensou em Daniel. Ele era o único que tinha ficado sozinho em casa nos últimos dias, o único que sabia onde o caderno ficava. A ligação que não foi atendida no dia anterior agora fazia sentido. Clara guardou o panfleto no bolso e saiu pela porta dos fundos. O que viria depois, ela ainda não imaginava.
