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Doce Engano — Capítulo 5: A receita vendida pelo irmão

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Daniel precisava pagar a dívida da casa e viu no caderno da mãe a única saída rápida. Depois que mandou as fotos, o dinheiro caiu e a confeitaria já preparava os doces.

Daniel olhou o boleto pela terceira vez antes de abrir o caderno da mãe. A conta da casa estava vencida havia quase um mês e a conta do banco não chegava nem perto do valor. Ele sabia que Clara guardava aquele caderno como se fosse a única coisa que ainda restava da mãe. O que ele ainda não percebia era que entregar aquelas páginas ia custar mais do que qualquer dívida.

O boleto ao lado do caderno

O apartamento dos Mendes era pequeno, mas silencioso naquela tarde. Clara tinha saído cedo para a confeitaria. Daniel ficou sozinho com o papel amassado na mão e o caderno aberto na receita de bolo de laranja com calda de limão. Ele já tinha visto a mãe fazer aquele doce mil vezes. Sabia que valia dinheiro.

Ele pegou o celular, hesitou, depois guardou de novo. A casa deles estava em risco. Se não pagasse logo, perderiam tudo. Pensou na irmã trabalhando na Valença, tentando construir algo com as mesmas anotações que ele agora olhava. Mas a dívida era real. O banco não esperava.

A ligação de Beatriz

O telefone tocou uma hora depois. Beatriz Valença não perdeu tempo com rodeios. Ofereceu o valor exato da dívida mais um pouco. Em troca, queria fotos das receitas e qualquer papel que Clara ainda guardasse sobre a mãe. Daniel ficou quieto por uns segundos. Depois perguntou quanto exatamente ela pagaria.

Ele repetiu a frase baixinho depois de desligar: é só para pagar a casa. Não era roubar a vida da irmã, era resolver um problema que ninguém mais ia resolver. Ele abriu o caderno de novo e começou a virar as páginas devagar, procurando as que pareciam mais completas.

As fotos que ele enviou

Daniel usou o celular da mãe, o que Clara menos usava. Fotografou cada receita com cuidado, sem deixar sombra na página. Quando terminou, guardou o caderno exatamente onde estava, com a caneta ao lado. Ninguém ia notar que tinha sido mexido.

Eu não vendi minha irmã, vendi algumas páginas.

Ele mandou as fotos para o número que Beatriz passou. Meia hora depois, o dinheiro caiu na conta. Daniel pagou o boleto ainda no mesmo dia. Quando Clara chegou em casa, ele já tinha guardado o comprovante e preparado o jantar. Falou pouco. Ela também estava cansada e não perguntou.

Beatriz recebeu o material ainda à noite. Mandou imprimir as fotos e chamou a equipe de produção para a manhã seguinte. Queria uma nova linha de doces pronta antes do fim da semana. Nenhuma das receitas tinha o nome de Clara. Todas iam sair como criação da confeitaria.