Júlia parou na frente da mala pequena ao lado da porta da sala. A casa estava silenciosa, como se esperasse algo. Renato veio do corredor e parou a alguns passos dela. O que ela ainda não sabia era que a conversa que se aproximava traria uma resposta que mudaria o rumo de tudo.
A mala pronta
Ela verificou o fecho da mala pela terceira vez. Dentro estavam roupas da filha, documentos e um envelope com o pouco de dinheiro que tinha guardado. A filha dormia no quarto, alheia ao que acontecia. Júlia sentiu o peso da decisão, mas não hesitou.
Renato tenta falar
— Você não precisa fazer isso agora — disse ele, a voz baixa. — Podemos conversar, resolver as coisas.
Júlia ergueu o olhar. — Já conversamos demais. As dívidas estão aí, a casa está em risco. Eu avisei.
Ele passou a mão no rosto. — Eu vou mudar. Juro.
Ela balançou a cabeça. — Você disse isso antes. Eu não acredito mais.
A frase que ele não esperava
Renato deu um passo à frente. — É por causa dele, não é? Por causa do Diego?
Júlia respirou fundo. A resposta saiu clara, sem raiva.
Eu não estou indo embora por causa dele. Estou indo embora por minha causa.
Ele ficou parado. Não respondeu. Júlia pegou a mala e caminhou até a porta.
Chegada na casa da tia
A tia abriu a porta sem fazer muitas perguntas. Júlia entrou com a mala e a filha no colo. O quarto que a tia preparou era pequeno, mas tinha uma janela que dava para o quintal. Pela primeira vez em muito tempo, Júlia sentiu que podia respirar sem pedir licença.
Ela colocou a filha na cama e sentou na cadeira da cozinha. A tia preparou chá, mas Júlia mal tocou na xícara. Pensou nas contas que precisava separar, no emprego que teria de procurar na semana seguinte. A decisão de sair já estava tomada. Agora vinha o resto.
Renato não ligou. O celular ficou em silêncio na mesa. Júlia olhou para ele uma vez e depois guardou no bolso. Amanhã ela começaria a organizar os documentos da separação. O dia seguinte parecia diferente, mesmo que nada ainda estivesse resolvido.
