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Entre o Desprezo e o Amor — Capítulo 10: A verdade na frente de todos

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Durante o almoço de família, uma taça quebrada marca o momento em que Júlia admite o beijo e revela as dívidas que Renato escondeu. A decisão de sair de casa surge ali mesmo.

Júlia acordou já sentindo o peso daquele domingo. A mesa estava posta desde cedo, os parentes começavam a chegar e Renato andava pela casa como quem quer mostrar que tudo ainda estava sob controle. Ela tirou a aliança no dia anterior e guardou no bolso da calça jeans sem dizer nada.

O almoço de domingo

Camila chegou primeiro, com o olhar baixo. Os tios se sentaram logo depois, comentando o calor e o preço da carne. Renato serviu a comida em silêncio, mas o maxilar dele travado já dava o tom. Júlia distribuiu os pratos e evitou olhar para Diego, que chegou por último e sentou no canto da mesa.

A conversa começou neutra. Falaram do trabalho, do ônibus que atrasou. Até que Renato bateu o garfo no prato e limpou a garganta.

A taça que caiu

Ele apontou para Júlia e depois para Diego. A voz saiu rouca, como se tivesse guardado aquilo por dias. “Vocês acham que eu não vi o que aconteceu. Acham que eu sou cego.” Uma taça escorregou da mão de Camila e se estilhaçou no chão. Ninguém se mexeu para pegar os cacos.

Júlia respirou fundo. Não era hora de negar. “Eu errei quando beijei seu amigo, mas você me perdeu muito antes daquele beijo.” As palavras saíram calmas, mas deixaram o ar mais pesado. Renato deu um passo para trás, como se tivesse levado um soco.

Camila olhou para o irmão. “Eu sabia das dívidas. A casa está no nome dela também, Renato. Você não podia fazer isso sozinho.” Os tios ficaram quietos. Um deles empurrou o prato para o lado.

O que ficou no ar

Diego ergueu a mão, mas deixou cair de novo. “Eu assumo minha parte. Não vou mais fingir que não vi o que você fazia com ela.” Renato não respondeu. Apenas olhou para a irmã como quem pede ajuda que já não existe mais.

Júlia se levantou devagar. “Vou sair daqui com a menina. Preciso entender como separar as contas e proteger o que sobrou.” Ela pegou a bolsa no encosto da cadeira e caminhou até a porta da cozinha. A mala pequena que planejava fazer na semana seguinte já estava na cabeça dela. Não era fuga. Era o começo de algo que ela mesma ia decidir.