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O Diploma — Capítulo 11: O peso do diploma

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Meses depois, o diploma estava na parede e a mesa limpa de contas. Caio voltou pra casa falar com Dorival. Helena apareceu sozinha no bairro. O que começou como conversa virou algo que ninguém espe…

Meses depois, o diploma de Caio estava emoldurado na parede da cozinha. A mesa não tinha mais contas atrasadas. Ele voltou para casa porque precisava falar com Dorival. O que ninguém esperava era que aquela conversa mudaria o que ainda restava da família.

A cozinha sem contas

Caio parou na porta. O cheiro de café era o mesmo. Lúcia secou as mãos no pano e sorriu sem pressa. Dorival estava sentado, olhando para o chão. Ninguém falou por alguns segundos.

— Sente aí — disse Lúcia. Caio puxou a cadeira. O diploma brilhava um pouco com a luz que entrava pela janela.

Dorival pigarreou. — Você conseguiu o que queria. Eu não facilitei nada. Sei disso.

Caio olhou para as mãos. — Não vim cobrar nada. Vim porque a mãe pediu.

O que Dorival não esperava

Lúcia serviu o café. Ficou em pé, encostada na pia. Dorival mexeu a colher devagar. O silêncio pesava mais que qualquer briga antiga.

— Eu errei muito com você — falou Dorival por fim. — Não foi só por causa da casa. Foi por ciúme também. Do seu pai. Da ideia que eu nunca ia ser suficiente. Você não precisa me perdoar. Só queria pedir pra tentar consertar o que der.

Caio respirou fundo. — Não sei se consigo esquecer. Mas tô aqui. Isso já é alguma coisa.

Lúcia sentou. As mãos tremiam um pouco. Ninguém chorou. Só ficou quieto.

Helena sem carro

A porta bateu de leve. Helena entrou sozinha, tênis sujo de lama do bairro. Sem motorista, sem bolsa cara. Caio se levantou. Ela sorriu para Lúcia primeiro.

— Trouxe pão — disse Helena. Colocou o pacote na mesa. Dorival olhou surpreso, mas não falou.

Ela sentou ao lado de Caio. — Meu pai ainda não aceita. Mas eu escolhi. Não vou viver pedindo permissão pra estar com você.

Caio apertou a mão dela por baixo da mesa. O diploma na parede parecia maior agora.

O diploma abriu uma porta, mas fui eu que precisei aprender a atravessar.

O programa que ele criou

Semanas depois, Caio estava de volta ao Grupo Vasconcelos. A proposta que recebeu virou realidade. Ele pediu uma sala pequena no canto do prédio e começou a montar algo que ninguém tinha pedido.

Chamou de Programa Primeiro Passo. Jovens sem experiência, sem estágio famoso, sem sobrenome. Caio revisou cada currículo ele mesmo. Lembrava de cada rejeição que recebeu. Queria que pelo menos alguns não passassem pelo mesmo.

Helena aparecia às vezes no final do dia. Levava café. Eles não falavam de casamento nem de mansão. Falavam do bairro, da cozinha, do que ainda faltava acertar. Dorival apareceu uma vez na portaria, só pra ver onde o filho trabalhava. Não entrou. Mas mandou mensagem depois: “Tá bom o lugar.”

Lúcia ligava toda semana. Perguntava se Caio estava comendo direito. Ele respondia que sim. E pela primeira vez em anos, a resposta era verdadeira. A família não ficou perfeita. Só ficou menos partida. E o diploma continuou na parede, agora com uma foto ao lado: os quatro, juntos, na cozinha reformada.