Rubra ficou parada diante do espelho dourado do quarto. A carta antiga que roubara dos aposentos de Beladona tremia em suas mãos. Ela já lera as linhas duas vezes e ainda não conseguia acreditar no que estava escrito. Só depois, quando a tarde terminou, é que a escolha dela faria sentido para quem a observava de fora.
A carta roubada
Rubra sentou na beira da cama e passou os dedos sobre o papel amarelado. As palavras falavam de uma troca feita anos atrás, de uma noite em que duas bebês foram trocadas no castelo. Uma levada para o campo, outra deixada no berço real. Ela parou de ler quando ouviu passos no corredor.
A conversa com Beladona
Beladona entrou sem bater, como sempre fazia. Viu a carta na mão de Rubra e fechou a porta depressa. Você não devia ter mexido nisso, disse ela, a voz baixa. Rubra levantou o olhar. Você estava lá naquela noite? Beladona hesitou. Algumas coisas é melhor deixar como estão. Rubra sentiu o peito apertar. Ela já desconfiava havia semanas, mas ver a confirmação escrita doía de um jeito diferente.
Se eu não nasci princesa, então farei o reino inteiro acreditar que nasci.
A decisão no quarto
Beladona tentou tirar a carta da mão dela. Disse que contar a verdade agora só ia destruir o que Rubra construíra a vida inteira. Rubra olhou para a bandeja de prata ao lado da mesa. Acendeu uma vela e segurou o papel sobre a chama. O fogo subiu devagar, consumindo as linhas uma por uma. O cheiro de papel queimado ficou no ar. Ela não chorou. Apenas observou as cinzas caírem.
A acusação contra Alva
Antes do jantar, Rubra desceu até o salão principal. Alva ainda estava no castelo, ajudando com as flores dos arranjos. Rubra apontou para ela na frente de todos os nobres presentes. Disse que Alva andava espionando os aposentos reais e que tinha planos contra a coroa. A ordem de expulsão saiu na hora. Alva não respondeu. Apenas olhou para Rubra, sem entender por que a mentira saía tão fácil da boca da outra. Quando os guardas se aproximaram, Rubra virou as costas. No caminho de volta ao quarto, ela sentiu o peso da carta queimada como se ainda estivesse carregando o papel nas mãos.
